4 práticas para Aumentar a Produtividade Agropecuária Em Solos Tropicais

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A atividade agrária apresenta-se em desenvolvimento em todo o mundo, com elevado potencial de geração de renda e empregos, além dos benefícios ambientais e de melhoria da qualidade de vida, resultantes dos seus produtos. Atualmente, torna-se fundamental a preocupação com a geração de tecnologia para aumento da produtividade, ou seja, para a continuação da evolução da produção, sem o aumento de área plantada.

O aumento da produtividade reduz a demanda por novas áreas e, otimizando os fatores de produção, além de preservar florestas, usa com melhor relação custo/benefício os recursos naturais.

Nesse artigo de encerramento da série especial solos, o vigésimo, queremos garantir alguns conceitos fundamentais. A seguir, confira 4 práticas para a evolução dos sistemas de manejo integrados, capazes de promover o aumento da produtividade da agricultura tropical:

1- Bactérias promotoras de crescimento vegetal

Buscamos o aumento da absorção de nutrientes pelas plantas de forma equilibrada. Essas bactérias são capazes de fixar nitrogênio atmosférico, produzir hormônios vegetais, solubilizar fosfato, sintetizar sideróforos, promover o controle biológico e a indução de resistência sistêmica na planta hospedeira.

O uso de substâncias bioestimulantes isoladas de resíduos orgânicos compostados, combinadas com insumos biológicos, aumenta a eficiência do uso de fertilizantes. Com o crescente aumento dos custos e dos impactos ambientais, gerados pela fabricação e uso de fertilizantes sintéticos, a busca de métodos sustentáveis tem incentivado os estudos com bactérias promotoras de crescimento vegetal.

2-  Boas práticas de preparo do solo

Nos últimos anos – nos quais a seca foi intensa e extensa, o preparo profundo do solo vem sendo abordado como uma alternativa para aumentar a produtividade agrícola. O plantio direto, de certa forma convencional na produção de grãos e cereais, tem sido adaptado para a implantação de canaviais, especialmente em rotação de culturas com plantas anuais.

Sistemas agropecuários de produção bem manejados, prestam serviços ambientais/ecossistêmicos, tais como, mitigação do efeito estufa, recarga dos lençóis freáticos, produção de água e ar puro, manutenção da biodiversidade, entre outros. A visão de Manejo Integrado para a tomada de decisão é o caminho que propomos para a construção e a manutenção da Fertilidade do Solo (sustentabilidade).

3- Controle da erosão 

A perda contínua de solo, especialmente das camadas superficiais mais férteis, leva à diminuição da produtividade das culturas. O impacto da erosão nas perdas de nutrientes e de matéria orgânica e, ainda, por depreciação da terra na manutenção de estradas e assoreamento, resulta em custos anuais na casa de dezenas de bilhões de reais!

O passo inicial de manejo e conservação do solo consiste em usá-lo dentro de sua capacidade de uso, ou seja, de sua aptidão agrícola. Mas existem diversas alternativas de práticas de solo, vegetativas e mecânicas para o controle da erosão em solos não cultivados.

4- Nutrição das plantas

A adubação, fisiologia e nutrição de plantas estimuladas por substâncias húmicas e/ou bactérias promotoras de crescimento aumenta a eficiência do uso de fertilizantes e, consequentemente, a absorção de nutrientes pelas plantas

Esse fato é muito importante, pois mesmo na agricultura de alta produtividade, é necessário buscar novos fertilizantes, dado o alto custo e à finitude das matérias-primas vindas de recursos naturais não renováveis.

Nossa agricultura está em crescente evolução. Todos os que trabalharam, trabalham e trabalharão são coautores da agropecuária brasileira. Todo cuidado é pouco. A abundância de recursos naturais acabou e, ainda, são necessárias ações para minimizar a perda de carbono do solo para a atmosfera, a erosão e o assoreamento, que levam à degradação do solo.

Manejo integrado da fertilidade do solo

Como refletimos nesta sequência de textos, atributos químicos, físicos e biológicos se integram no que denominamos fertilidade do solo. Seu manejo conjunto, portanto, é fundamental para a agricultura tropical deste novo milênio, para que possamos garantir que nossos campos produzam alimentos saudáveis, mas também serviços ecossistêmicos (“produção de água e de ar”, manutenção da biodiversidade).

Assim, conciliaremos a produção agropecuária com a preservação da natureza, redescobrindo nossa função (nicho) em nosso ambiente (habitat), que é justamente cuidar do ecossistema, como pode ser que tenha se iniciado nossa saga/missão humana. Sem dúvida, recebemos um paraíso ecológico como ambiência, acompanhado de toda a sua diversidade e dele (incluindo de nós mesmos) devemos ser os zeladores.

Por Marihus Altoé Baldotto, professores da Universidade Federal de Viçosa.

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