Áreas de refúgio na cultura de soja: obtenha maior controle sobre insetos e pragas!

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Ao pesquisar sobre este assunto, desconfio que você enfrentou ou esteja enfrentando problemas em sua lavoura de soja, correto? Se um desses problemas for a proliferação de insetos e pragas que prejudicam – e muito! – sua plantação de soja, considero que valha a pena reservar alguns minutinhos de seu tempo para conhecer e tentar solucionar suas dificuldades.

 A soja

Planta originária do continente asiático, a soja caracteriza-se por ser a cultura agrícola com maior crescimento em termos de área plantada em grãos em nosso país (49% da área plantada de grãos) nos últimos 30 anos. Exportada para países da União Europeia e Japão, são 30,7 milhões de toneladas transformadas anualmente pelas indústrias, além se ser uma alternativa para fabricação do biodiesel.

Estes dados se devem, entre outros fatores, aos investimentos e avanços cada vez maiores em procedimentos e tecnologias de manejo mais eficazes dos produtores deste grão. E um destes procedimentos são as áreas de refúgio. Mas você deve estar se perguntando: “O que seriam áreas de refúgio?”. Vamos lá!

 Áreas de refúgio: o que são e como funcionam?

As áreas de refúgio são uma das principais estratégias agrícolas na manutenção do equilíbrio ecológico, gerando maior produtividade e qualidade em suas lavouras. São aplicadas em plantações transgênicas de milho, algodão e soja (cultura em questão), por exemplo, e que necessitam de uma porcentagem da área total plantada somente com plantas não transgênicas (para o caso da soja, recomenda-se no mínimo 20%).  O produtor deve se atentar para alguns aspectos importantes: as áreas de refúgio não devem se situar a uma distância superior a 800 metros das plantações de soja transgênicas, já que representa a distância máxima percorrida pelas mariposas reprodutoras dos insetos. As áreas devem também ser plantadas preferencialmente próximas a outras com formas híbridas de ciclo vegetativo semelhante ao da soja. Sendo assim, se na vizinhança de sua área de cultivo existem outras áreas de lavoura da mesma planta, é recomendável que seu vizinho adote esta prática e se alie a você nos procedimentos, visando o sucesso de toda a operação para ambos. No momento, uma dúvida pode surgir: qual a finalidade de realizar todo esse trabalho?

Através das áreas de refúgio, pragas e insetos (como as lagartas, por exemplo) que trazem malefícios à soja e são resistentes ao envenenamento aplicado, realizam o acasalamento com espécies suscetíveis, gerando seres sem resistência. Nos EUA, por exemplo, as áreas de refúgio tem expressado resultados satisfatórios quando aplicados em plantações de algodão e milho. Entretanto, para a soja esses resultados tomaram a via contrária. Já no Brasil, a aplicação deste procedimento para a soja deu certo em consequência das bactérias Bt, e são elas que nos ajudam a entender o mecanismo de todo o processo.

As bactérias Bacillus thuringiensis (Bt)

O Bacillus thuringiensis (Bt) pode ser encontrado no solo, em resíduos de grãos, na poeira, na água, na matéria vegetal e em insetos. Trata-se de um tipo de bactéria que tem a capacidade de formar proteínas (Cry1AC) com propriedades inseticidas quando ingeridas pelos insetos e/ou pragas, produzindo toxinas prejudiciais ao intestino e, consequentemente, ao trato digestivo destes seres.

É preciso ressaltar que o Bt age contra diversas espécies de insetos, mas é considerado seguro em relação aos mamíferos. Abaixo, podemos visualizar alguns exemplos de pragas controladas pela Soja Bt:

  • Lagarta da Soja (Anticarsia gemmatalis)
  • Lagartas Falsa Medideiras (Chrysodeixis includens / Rachiplusia nu)
  • Broca das Axilas (Crocidosema aporema)
  • Lagarta das Maçãs (Heliothis virescens)
  • Lagarta Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
  • Complexo Helicoverpa (Helicoverpa spp.)

 Vantagens na aplicação da técnica

Para se ter uma ideia do grau de satisfação de produtores que aderiram à técnica, dados indicam que o mercado de produtos contendo Bt representavam 90% das vendas de biopesticidas no Brasil já no ano 2000, tendo em vista que a introdução de sementes geneticamente modificadas somente foi aprovada dois anos antes no país.

Além disso, proporciona um controle muito maior de pragas e insetos na lavoura, evitando quedas na produção. Por outro lado, vale lembrar que a não aplicação desta técnica pode provocar a seleção de insetos-praga cada vez mais resistentes, neutralizando os efeitos desejados dos transgênicos.

Agora que foi possível conhecer melhor as áreas de refúgio, você já tem uma saída para contornar seus problemas no cultivo de soja, garantindo dessa forma, uma produção de qualidade e com controle de pragas e insetos.

Gostou do artigo? Ficou com alguma dúvida sobre a área de refúgio na soja? Então deixe o seu comentário e compartilhe conosco as suas dúvidas sobre esse assunto!

Autor: Guilherme Borges Pereira
Geógrafo e Engenheiro Ambiental

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