Bactérias promotoras de crescimento vegetal na busca pela sustentabilidade

0

Por Marihus Altoé Baldotto

Buscamos o aumento da absorção de nutrientes pelas plantas de forma equilibrada. E, de fato, o uso de substâncias bioestimulantes isoladas de resíduos orgânicos compostados, combinadas com simbiontes (insumos biológicos) aumenta a eficiência do uso de fertilizantes.

Esse fato é muito importante, pois mesmo na agricultura de alta produtividade, é imperativo buscar novos fertilizantes, dado o alto custo e à finitude das matérias-primas vindas de recursos naturais não renováveis.

O Brasil precisa dedicar-se fortemente a atender todos os sistemas de produção, pois é estrategicamente adequado incentivar, tanto a agricultura de grandes áreas e alta produtividade quanto a agricultura orgânica, comumente familiar com sua produtividade menor, mas de alto valor agregado pelos aspectos qualitativos.

Os insumos que pesquisamos adequam-se a todas essas modalidades, sem incompatibilidade com seus sistemas de produção. Adicionalmente, uma forte possibilidade é o uso de biofertilizantes e produtos isolados após a compostagem de resíduos orgânicos para favorecer a inoculação de micro-organismos promotores de crescimento (simbiontes) – por exemplo, os fixadores de nitrogênio, os solubilizadores de fósforo e os produtores de auxinas (estimulantes vegetais) e de substâncias protetoras contra doenças e pragas nas culturas.

Com o crescente aumento dos custos e dos impactos ambientais, gerados pela fabricação e uso de fertilizantes sintéticos, a busca de métodos sustentáveis tem incentivado os estudos com bactérias promotoras de crescimento vegetal.

As bactérias promotoras de crescimento podem colonizar a região rizosférica e filosférica, o interior (endofíticas) ou a superfície (epifíticas) de tecidos vegetais como potenciais agentes do crescimento e de proteção de plantas. Essas bactérias são capazes de fixar nitrogênio atmosférico, produzir hormônios vegetais, solubilizar fosfato, sintetizar sideróforos, promover o controle biológico e a indução de resistência sistêmica na planta hospedeira.

Deste modo, o isolamento, a caracterização e a seleção de bactérias promotoras de crescimento, visam, portanto, a possibilidade de agregar valor em propágulos, ou em tratamentos de aclimatação e, em campo, ao inocular as plantas com estirpes selecionadas.

Os ácidos húmicos isolados dos resíduos orgânicos reciclados por compostagem poderiam ser fonte de carbono para esses micro-organismos, auxiliando, ainda, na aderência às plantas e na proteção contra as condições desfavoráveis, como a radiação solar, prolongando a vida útil do inóculo e, com isso, melhorando a eficiência de colonização das plantas por esses organismos benéficos, os quais são selecionados no meio ambiente, cultivados em laboratório e reaplicados, para viverem associados às plantas e aumentarem seu desempenho produtivo.

Especialmente, essa é uma biotecnologia de grande potencial para a propagação de plantas, sobretudo para a cultura de tecidos.

Esse é o segundo texto do artigo Manejo Integrado da Fertilidade do Solo

Para ler a continuação, acesse: Compactação e erosão do solo: problemas que preocupam a agropecuária

Em breve, um novo artigo da Série Especial Solos sobre o tema “Novos Fertilizantes com Base Sustentável”.

Até lá!

Acompanhe também nossas redes sociais em Facebook, Instagram, LinkedIn e Youtube.

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.