Como fazer a nutrição e o preparo para colheita do café

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O café é uma das bebidas mais apreciadas ao redor do mundo. O grão fornece subsidio para a produção da forma mais tradicional ou com misturas e aromas diferentes. Também pode ser usado para compor doces e até mesmo produtos de beleza.

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu, em 2016, uma safra recorde de café, em função do crescimento da produção de arábica, uma vez que a colheita do robusta foi fortemente afetada pela seca. Este ano é de bienalidade negativa na maior parte dos estados produtores, o que, consequentemente, resulta numa produtividade média menor do que o ano anterior e maior área em formação, com volume de grãos miúdos acima do esperado.

Porém, mesmo nesse cenário, é possível garantir produtividade e diminuir os gargalos com o planejamento de uma nutrição correta do cafezal. O especialista agronômico da Yara, Thiago Reis esclareceu os principais pontos sobre essa etapa do processo produtivo, que faz a diferença no resultado do produtor. “A nutrição adequada do cafeeiro colabora para a conquista dos melhores cafés. O uso de fertilizantes na cafeicultura deve buscar fontes eficientes que atendam as demandas nutricionais no momento correto da exigência da planta”, ressalta.

1 – Em um ano de bienalidade negativa também é possível ter mais produtividade no cafezal
Verdadeiro: Os nutrientes disponíveis em quantidade e no momento certos proporcionam boa formação e enchimento de grãos para colheita de peneiras mais graúdas e boa “renda” dos grãos cereja. As lavouras que receberam nutrição adequada vão ter maturação uniforme, proporcionando melhor ponto de colheita com alta quantidade de grãos maduros, os quais darão maior sabor e qualidade diferenciada à bebida do café na xícara. Desta maneira, o equilíbrio nutricional colabora para o cafeicultor agregar mais valor à sua safra.

2 – A nutrição mineral do café não influencia sua produtividade nem a qualidade da sua bebida
Falso: Para o cafeeiro obter melhor produtividade e qualidade da bebida, deve ser dada atenção especial à sua nutrição desde antes do momento da abertura de flores até o ponto de maturação fisiológica, também já pensando no próximo ciclo, pois, pode contribuir para melhor diferenciação floral das plantas, com o equilíbrio nutricional. Posteriormente, após a retirada do café das plantas, o tratamento pós-colheita deve ser muito preciso para manter o potencial de qualidade da bebida desenvolvido com equilíbrio nutricional naquele ambiente específico do cultivo.

3 – Adubações no final da estação chuvosa (abril/maio) não colaboram mais para a nutrição do café
Falso: Resultados inovadores demonstram que o suprimento de nitrogênio em uma forma nítrica, associado ao cálcio e boro prontamente solúveis em água, no período de diferenciação floral do café, momento não usual de adubação, favorece o maior desempenho das plantas no potencial da safra a ser colhida no próximo ano.

4- Na fase de secagem, o ideal é quando os grãos chegam a umidade de 11%
Verdadeiro: Recomenda-se que a secagem do café seja interrompida quando os grãos estiverem com umidade entre 11 e 12%. Ainda é necessário um período mínimo de 20 dias de repouso na tulha após a secagem, para haver uniformidade da umidade, ou seja, diminuição da diferença entre os teores de umidade em cada grão, no momento em que as camadas mais externas dos grãos estão mais secas e a porção interna, se apresenta mais úmida (Laboratório de pós-colheita do café, IFSul de Minas, Muzambinho).

Na Classificação Oficial Brasileira (COB, IN 08/2003), a umidade ideal de benefício é entre 11 e 12%. Há possibilidade de o cafeicultor realizar o rebeneficiamento, (também chamado de padronização), uma prática recomendada quando o café será destinado ao consumidor (torrefações) ou exportação. Pode ser uma prática interessante quando se tem esse tipo de comercialização de café, em volume significativo, por exemplo, de cafés especiais

5 – Cafés naturais e descascados têm temperaturas diferentes para secagem
Verdadeiro: No terreiro, o café deve ser revolvido, no mínimo, a cada 30/45 minutos, no período de 9 a 15h, tendo em torno de 6 horas de exposição diárias ao sol, para expor todos os frutos ao aquecimento (uniformidade de secagem) e também, como uma maneira de evitar superaquecimento dos frutos localizados na camada exposta da leira de café. A temperatura ideal nos secadores com revolvimento constante deve atingir, no máximo, 45 graus na massa de frutos para cafés tipo natural (com casca), e, até 40 graus para cafés tipo descascados.

Thiago Reis, especialista agronômico da Yara para a cultura do café

Fonte: Grupo Cultivar

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