Conheça 10 práticas sustentáveis que estão sendo adotadas no Brasil

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texto Viviane Taguch/ Imagem: Globo Rural

Produzir alimentos suficientes para uma população estimada em 9 bilhões de pessoas em 2050 e ao mesmo tempo preservar a natureza é o grande desafio da agricultura mundial deste século. Pelas estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mundo terá de aumentar em 70% sua produção agrícola nos próximos 40 anos para evitar uma grave crise alimentar e a escalada da fome.

Na avaliação de representantes do agronegócio brasileiro, é importante que o setor transforme as questões ambientais em uma agenda positiva em favor de uma produção mais eficiente, de maior qualidade e capaz de limitar a expansão das fronteiras agrícolas. Com os novos tempos, produtores brasileiros, que nas últimas décadas investiram na formação de uma agricultura especializada, devem encarar como oportunidades de negócios a recuperação de áreas de proteção ambiental e os investimentos na diversificação de suas propriedades.

A semente da revolução agrícola já foi semeada por aqui e alguns agricultores saíram na frente implantando técnicas de cultivo e de criação produtivas e sustentáveis. Mas ainda temos um longo caminho a ser percorrido, que vai exigir dos produtores muita garra e, principalmente, investimentos em tecnologia e inovação. Conheça a seguir 10 práticas sustentáveis que ajudar na  construção de um novo cenário da agricultura mundial:

1 > INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA

É um sistema que combina o cultivo de espécies arbóreas comerciais, grãos, forrageiras com a criação de animais em uma mesma área, de forma simultânea ou sequencial, com o uso sustentável dos solos. Essa tecnologia proporciona a máxima produção de alimentos, fibras e energia por unidade de área.

Segundo o especialista Ronaldo Trecenti, da Campo Consultoria e Agronegócios, de Brasília (DF), a introdução da ILPF em propriedades rurais traz vantagens como:

* recuperação de pastagens degradadas
* maior infiltração de água das chuvas no solo
* maior retenção de água no solo
* ciclagem de nutrientes
* maior produção de forragem na entressafra
* conforto térmico, que proporciona bem-estar animal
* diversificação de atividades na propriedade
* redução dos riscos climáticos e de mercado
* melhoria de renda do produtor
* redução da emissão de gases de efeito estufa
* sequestro de carbono

No sistema ILPF, as receitas das lavouras e da pecuária pagam as despesas de implantação da floresta e, então, o produtor tem uma “poupança verde”, capaz de lhe proporcionar uma renda líquida de aproximadamente R$ 30 mil por hectare ao longo de nove a dez anos, sem considerar a receita com a venda de créditos de carbono.

2 > PLANTIO DIRETO

Método de manejo em que a palha e os restos vegetais são deixados na superfície do solo. A terra é revolvida apenas no sulco no qual são depositados sementes e fertilizantes. As plantas infestantes são controladas por herbicidas. Não existe preparo do solo, além da mobilização no sulco de plantio.

Desde 2001, o SPD brasileiro é indicado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) como modelo de agricultura.

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3 > DESCARTE DE EMBALAGENS

É a correta destinação final às embalagens vazias dos agrotóxicos utilizados na agricultura. O agricultor deve lavar (tríplice lavagem ou lavagem de alta pressão), inutilizar as embalagens e entregar a uma unidade de recebimento indicada pelo revendedor na nota fiscal. As indústrias devem retirar as embalagens nas unidades de recebimento e dar correta finalização (incineração ou reciclagem).

Segundo João César Rando, presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, nos oito primeiros meses de 2011, 24.970 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas foram entregues pelos produtores brasileiros. Esse volume é 11% superior ao do ano passado.

4 > RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS

Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade forrageira, sem possibilidade de recuperação natural, que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. Causada por diversos fatores, dentre eles a má escolha da espécie forrageira, a malformação inicial, a falta de adubação de manutenção e o manejo da pastagem inadequado, a degradação precisa ser revertida para garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária.

Pelo sistema tradicional, recuperar pastagens exige investimento em calcário, fertilizantes, máquinas agrícolas e implementos. Recuperar completamente e com eficiência custa, em média, R$1.500 por hectare.

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5 > RASTREABILIDADE

O rastreamento do gado é feito desde o nascimento até o abate. Gera um histórico completo, que deve ser fornecido pelos fazendeiros ou certificadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura. Data e local do nascimento, nome dos pais, movimentação geográfica do animal, uso de produtos veterinários são algumas das informações disponíveis.

A rastreabilidade é uma ferramenta de segurança alimentar, uma vez que permite identificar a origem da carne e os processos utilizados em sua elaboração. Além disso, reduz os riscos à saúde pública ao localizar geograficamente zoonoses (doenças de animais transmitidas ao homem) e oferece segurança sanitária aos rebanhos pecuários permitindo que enfermidades sejam rapidamente combatidas.

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6 > MANEJO DA ÁGUA

Reduzir a dependência das chuvas e ofertar produtos no mercado em épocas de melhores preços – e ao longo de todo o ano – são benefícios da irrigação. Vantagens que só se concretizam se a aplicação da água for compatível com a real necessidade de cada cultura, já que esse bem tem se tornado mais escasso à medida que a agricultura, a indústria e a população crescem.

Maior consumidor de água do planeta, o setor agrícola ora é algoz, ora é salvador dos recursos hídricos. Do total demandado no Brasil, 69% vai para a irrigação de 4,6 milhões de hectares – e há potencial para chegar a 29,6 milhões. Sustentar essa ampliação é o desafio do campo, que tem se valido dos avanços tecnológicos, além de revisões constantes no modo de conduzir as lavouras, para maximizar a produção e minimizar a utilização de água.

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7 > BIOENERGIA

O bagaço da cana passa por várias etapas durante o processo industrial antes de produzir bioeletricidade – energia limpa, renovável e segura. A geração se destina a abastecer a própria usina e o excedente costuma ser vendido para o sistema elétrico nacional por meio de leilões do governo. Apesar de suas vantagens ecológicas, apenas 2% do consumo de energia do país é suprido pela bioeletricidade. Até 2020, o setor espera aumentar esse percentual para 15%, equivalente ao potencial de três usinas de Belo Monte.

A cana é a matéria-prima do etanol, combustível limpo e renovável, cuja produção nacional chega a 22 bilhões de litros. O país é considerado o segundo maior produtor mundial . Perde para os Estados Unidos, que utilizam o milho para a mesma finalidade. O etanol brasileiro reduz as emissões de gases de efeito estufa em mais de 80% em substituição à gasolina.

84 milhões de toneladas de palha são deixadas nos canaviais brasileiros. Elas teriam a capacidade de gerar energia para 13 milhões de residências, segundo avaliações do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

8 > MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS (MIP)

Implantado no país há 40 anos, o MIP é uma técnica que consiste em manter as pragas abaixo do nível em que causam danos econômicos para as lavouras. O controle é feito por diversas formas : por meio de insetos, uso de feromônios, retirada e queima da parte do vegetal afetada, adubação equilibrada, poda e raleio etc. O manejo é uma alternativa proposta pela comunidade científica para diminuir o uso de agrotóxicos, que torna os insetos mais resistentes e causam contaminação dos alimentos e do lençol freático quando aplicados indiscriminadamente.

R$ 260 milhões por ano é a economia que o MIP proporciona com redução de perdas e custo de produção nas lavouras de soja, algodão, milho, trigo e feijão. Apesar do sucesso, a tecnologia é empregada em apenas 10% da área plantada de grãos no país.

9 > FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO (FBN)

As bactérias da família Rhizobiaceae são as principais fixadoras desse elemento, que atua em todas as fases da planta (crescimento, floração e frutificação) e fortalece os vegetais contra pragas e doenças. Elas estão presentes nos plantios de cana e soja, especialmente, e podem ser aplicadas na forma de inoculantes que aumentam a produtividade no campo. A fixação biológica de nitrogênio substitui o emprego dos fertilizantes minerais, produto que foi um dos pilares da Revolução Verde.

10 > TRATAMENTO DE RESÍDUOS

Não é só o setor canavieiro que teve que achar destino correto para seus resíduos, como a vinhaça, que poluiu rios e matou peixes no passado. Desde 2003, a suinocultura investe no tratamento dos dejetos dos animais. A técnica mais eficiente provém dos biodigestores. Nestes equipamentos ocorre a fermentação da biomassa que dá origem ao biogás, usado na geração de energia, e no biofertilizante que tem eficiência comprovada nas lavouras. Mas sua instalação exige investimento de R$ 50 a R$ 250 mil , conforme o modelo adequado para a criação

Apenas 5% dos 50 mil suinocultores do país têm biodigestores em suas propriedades. O preço é apontado como obstáculo para a implantação.

Fonte: Globo Rural
Para ler a matéria completa acesse: revistagloborural.globo.com

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