Você sabia? Conheça a origem e a história do café

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Hoje iniciaremos uma nova série de textos sobre a atividade cafeeira, planta que onde chegou provocou mudanças profundas, sendo o segundo produto mais negociado no mundo, atrás apenas do petróleo. Decisões importantes na história humana aconteceram (e foram tomadas!) com café!

O consumo do café no mundo

Antes da descoberta do café, a Etiópia comercializava trigo, mirra, ouro, marfim, pérolas, pedras preciosas e tecidos. Hoje, o café responde por 60% da renda etíope, empregando, uma em cada quatro pessoas.

As condições climáticas, tais como altitude, pluviosidade e de solos, criaram ambiências para a produção de cafés “raros e fascinantes”. Religiosamente, relaciona-se aos espíritos da fertilidade e da prosperidade. Nas tribos tradicionais, rituais são realizados ao colher e torrar os grãos, para evitar maus agouros.

Foram os árabes que perceberam o potencial do café. A torra surge no século XV e daí à infusão. O café atravessou o Mar Vermelho e, depois, irradiou-se pelo mundo inteiro, graças aos otomanos, a partir das montanhas de Anatólia, para o mundo Árabe.

Histórias “homéricas” podem ser revisitadas a respeito do seu deslocamento para a Europa, onde virou iguaria refinada também ligada à vanguarda. A porta de entrada para a Itália (Gênova e Veneza) era a Áustria. Durante a guerra que findou a invasão e domínio Árabe na Áustria, ouvia-se os gritos em meio a batalha e espólios: Não queimem, é café! O general era filho de mercadores, falava e conhecia a “especiaria Árabe”. Fundou-se a partir daí o primeiro café da Áustria. Os cafés da Áustria, em 2011, passaram a ser considerados pela UNESCO como “bens culturais da humanidade”.

O café chegou até Veneza por volta de 1570. Foi inicialmente rejeitado pelos padres, dada a origem otomana. O Papa Clemente VIII provou e, ao invés de proibir a “bebida muçulmana”, abençoou o hábito. Surgiu o Café Florian, em 1720, até hoje um dos mais charmosos e famosos do mundo.

Variedades
O café teve na Itália suas principais receitas e surgiram as tendências de filtragem e uso de do leite e seus derivados. Cappuccino: café, leite e mel. No pós guerra da batalha de Viena, em 1683, a bebida tinha a cor das vestes da ordem religiosa dos capuchinhos, dando origem ao nome. O café expresso começou em Milão, em 1901, com água pressurizada promovendo a perfeita espuma do café: Gaggia Crema Caffè.

Os cafés, mais tarde, tiveram a concorrência dos chás, vindos da China. Motivo: os ingleses, elegantes, renderam-se a fineza das mulheres, que preferiam o chá. Todavia, o café prosperou. Os italianos fizeram a arte e os franceses espalharam-na pelo mundo.

Com a disseminação dos cafés, o alcoolismo diminuiu. Até os corretores da Bolsa de Valores de Londres, frenéticos, possuíam um momento para “relaxar” tomando café.

Da França, o café cruzou o Atlântico. Em 1720, Gabriel Mathieu de Clieu (lendária travessia) levou ao Caribe a planta que seria a mãe de todo o café da América Latina.

Chegada do café no Brasil

O café chegou à América do Sul a partir do Suriname, por iniciativa do governador de Caiena, que conseguiu, de um francês chamado Morgues, um punhado de sementes e as semeou no pomar de sua residência. Em seguida, vai para a Guiana Francesa e, de lá, chega ao Brasil! Como de costume, com uma história repleta de nuances.

Em 1727, Francisco Melo de Palheta, então sargento-mor do estado do Maranhão, vai à Guiana Francesa conseguir as sementes de café. Tendo êxito na missão, coloca o café na história do Brasil, hoje o maior produtor mundial.

Inicialmente, o café foi plantado no Pará. Depois, desce pelo nordeste, até o Maranhão e a Bahia. Vai ao Rio de Janeiro e passa para São Paulo, mas depois volta à Minas Gerais, onde encontra seu berço esplêndido e faz do estado o maior produtor brasileiro.

Atualmente, o Brasil e o Mundo continuam sendo geridos e gerenciados acompanhados pelo café. O negócio cafeeiro mundial envolve bilhões de dólares e emprega milhares de pessoas.

Na próxima semana, conheceremos a história das variedades cultivadas de café. Até lá!

Por Marihus Altoé Baldotto  – Professor da Universidade Federal de Viçosa

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