Especial Agtech: Crescem as apostas no ecossistemas de startups Agtech no Brasil

0

por Bárbara Caldeira

É comum que, diante de termos como inovação científica e alta tecnologia, especialmente para o agronegócio, o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), ganhe destaque. A região se destaca por ditar tendências tecnológicas para o mundo, mas se depender do empenho de empresários envolvidos no ecossistema de startups agtech no Brasil, o polo inspirador de seus negócios ainda vai ouvir falar muito dos brasileiros. De acordo com o 1o Censo AgTech Startups Brasil, realizado a partir de uma parceria entre a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo – ESAL-Q-USP – e a AgTech Garage, o setor é promissor: 17% das startups mapeadas registraram taxa de crescimento de mais de 50% ao ano.

José Tomé, co-fundador e CEO da AgTech Garage, acredita que o ecossistema de startups voltadas para o agronegócio no Brasil ainda está na sua infância, mas o potencial é notório. A iniciativa que o engenheiro químico comanda é decisiva para que o ecossistema de inovação do Vale do Piracicaba, em São Paulo, conhecido como AgTech Valley, amadureça e se expanda. Tomé conta que a AgTech Garage, ao longo dos últimos dois anos, catalogou startups de todo o Brasil que desenvolvem algum tipo de serviço ou produto inovador para a agricultura. “Nossa ação consiste em atrair produtores, corporações e fundos de investimento para nos aproximar de startups e fomentar a geração de parcerias e negócios”, comenta.

Outra iniciativa de destaque é a AgriHub, rede de inovação em agricultura que identifica as necessidades dos produtores e os conecta a startups, mentores, empresas, pesquisadores e investidores, promovendo melhor ajuste das tecnologias ao campo. Com raízes em Cuiabá, a AgriHub faz parte do Sistema Famato, que é composto pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária – Imea, e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR-MT.

Para Heygler de Paula, COO da AgriHub, a consolidação de uma rede e o fortalecimento do ecossistema de startups agtech é essencial especialmente para enfrentar os diversos desafios do setor, inclusive geográficos e de contato. “As fazendas estão espalhadas e os produtores moram em cidades que estão longe de grandes concentrações urbanas, o que dificulta a logística e o entendimento dos problemas do campo por parte das empresas de tecnologia”, pondera.

O empresário londrinense George Hiraiwa é presidente do Instituto Sicoob, atua como voluntário e é um dos coordenadores da SRP Valley, iniciativa de peso no cenário paranaense. Ele explica que a SRP Valley é o centro do ecossistema agro de Londrina, sendo parte integrante da Sociedade Rural do Paraná – SRP, entidade de produtores do agronegócio da região, que conta ainda com a SRP Go, uma aceleradora de startups.

Otimista com as perspectivas do setor no Brasil, George diz ver com muita alegria o surgimento de vários ecossistemas agro, como as iniciativas de Piracicaba e Cuiabá. “É importante termos um networking produtivo para que, com a maturidade, surjam startups mais estruturadas, com maior capital de conhecimento e que possam contribuir para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, opina.

Tomé, no mesmo sentido, ressalta a necessidade de que os novos empreendedores do ramo estejam mais preparados. “Em setembro, a AgTech Garage vai lançar o primeiro curso de empreendedorismo focado em agtech no Brasil. Serão dez módulos, que cobrem todas as fases de desenvolvimento de uma startup. Acreditamos que esse será mais um marco no ecossiste ma de inovação do nosso país”, finaliza.

Assine a Revista Strider gratuitamente, envie sugestões de reportagens, dúvidas e novas ideias no e-mail: revista@strider.ag. Clique aqui e acesse a 3ª edição da publicação.

Leia mais notícias e novidades no Blog Por Dentro do Agro. Acompanhe nossas redes sociais em FacebookInstagramLinkedIn e Youtube.

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.