Cultivares de banana-maçã demandam menos água e defensivos químicos

Por Alessandra Vale

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Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) desenvolveram um sistema de produção on-line específico para as cultivares de banana-maçã BRS Princesa e BRS Tropical e obtiveram economia significativa no consumo de água.

O desempenho as torna ideais para cultivos em regiões como o Semiárido. Desenvolvidos pela Embrapa, ambos os materiais são resistentes às principais doenças que atacam a cultura, como as sigatokas negra e amarela, o que também reduz o consumo de defensivos agrícolas.

O consumo de água das cultivares atingiu patamares 25% menores em comparação às variedades de banana-prata, as mais cultivadas no País. A BRS Princesa e a BRS Tropical são resultado do programa de melhoramento genético da Embrapa Mandioca e Fruticultura, voltado à busca de novas variedades resistentes a doenças e mais produtivas.

Superioridade da BRS Princesa

O pesquisador da Embrapa Eugênio Coelho explica que a banana-maçã Princesa alcança sua produtividade máxima com 80% da lâmina de água aplicada para outras cultivares, como a Grande Naine (banana d’água), do tipo Cavendish, e a Prata Anã. “Enquanto que com essas cultivares, as mais consumidas no País, você precisa de 30 a 35 litros de água por planta ao dia, na BRS Princesa você vai precisar de 24 a 25 litros para chegar ao seu máximo de produção.

Ou seja, se o produtor colocar mais do que isso, vai desperdiçar água, pois não há necessidade,” declara Coelho, ressaltando que com o mesmo volume de água que o produtor utiliza em um hectare de banana-prata, ele pode usar em 1,2 hectare da BRS Princesa. “Com isso, ele ganha dois mil metros quadrados de área”, frisa o cientista.

Ideal para regiões com escassez hídrica

As duas bananeiras do tipo Maçã demonstram ser possível boa produtividade com lâminas de 800 a 1.200 mm de água no ciclo. Enquanto a Prata Anã, por exemplo, requer pelo menos 1.100 mm, dependendo das condições climáticas. “Se o clima é mais seco e quente, como no Semiárido, pode requerer bem mais que 1.100 mm”, afirma Coelho.

Em sua avaliação, a BRS Princesa é excelente alternativa para os produtores em áreas com escassez hídrica, já que, em geral, os rios que suprem os projetos de irrigação dessas regiões, como o São Francisco, têm tido suas vazões reduzidas a ponto de comprometer o abastecimento para os projetos de irrigação. “Já há uma migração de áreas de bananeira do norte de Minas, por exemplo, para a parte mais central do estado, onde chove mais,” conta.

O pesquisador Sérgio Donato, do Instituto Federal (IF) Baiano – campus Guanambi, parceiro da Embrapa nesses estudos, diz que, atualmente, a água é o maior fator limitante da agricultura, o que não é mais exclusividade do Semiárido.

“Esse é um desafio atual em vários ecossistemas por conta do quadro de variabilidade climática. Há o problema do déficit hídrico no solo, mas também a seca da atmosfera. Muitas variedades tradicionais não resistem a essa situação. Se permanecer esse quadro, é preciso ter dados que suportem o uso de outras cultivares que tolerem mais o déficit hídrico, não só do solo, mas também as ondas de calor e a baixa umidade do ar que estressam as plantas”, afirma Donato, que atua com a Embrapa em experimentos do programa de melhoramento genético de banana desde 1997.

Coelho informa que, como a cultivar necessita de menos água, é possível utilizar o sistema por gotejamento, cuja irrigação é localizada.

Economia de nutrientes

A BRS Princesa também apresentou menos exigências nutricionais em comparação a outros materiais, tanto do tipo Cavendish quanto Prata. “Nos trabalhos desenvolvidos no norte de Minas, reduzimos em aproximadamente 50% a adubação da banana-maçã Princesa em relação ao tipo Prata Anã, e a cultivar produziu muito bem. Quanto à quantidade exata da redução na utilização dos nutrientes depende muito da composição química do solo e das condições locais. Cada local vai ter que fazer seus testes. Mas que a banana-maçã Princesa é menos exigente do que cultivares dos tipos Prata e Cavendish não há dúvida, principalmente em relação ao potássio e ao nitrogênio, os nutrientes mais absorvidos pela cultura”, informa Haddad.

Esses aspectos reunidos, menor exigência de água e a redução do uso de agroquímicos e de nutrientes, resultam em um sistema mais sustentável e na consequente redução dos custos de produção, conforme ressalta o cientista da Embrapa.

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