Onde se gasta? Principais custos da manutenção da frota

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O processo de mecanização da cultura da cana-de-açúcar vem acontecendo de maneira acelerada no estado de São Paulo. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) apontam que o índice de mecanização da cultura que em 2007 era de 41,7% e atingindo na safra 2010/2011 o valor de 70%.

O fato gerador dessa mudança nos sistemas de produção é a implementação da LEI 11.241/2002 e o protocolo Agroambiental ambos com fins de erradicação de queima e consequentemente o fim do corte manual na colheita. Os resultados do Protocolo Agroambiental mostram que a colheita de cana crua no estado evoluiu de 1,11 mil hectares em 2006/2007 para 3,38 mil hectares na safra 2012/2013, de acordo com dados da Secretaria do Meio Ambiente.

O setor tem procurado se organizar para atender as necessidades de gestão que os sistemas mecanizados exigem. Os fornecedores de cana do estado de São Paulo associados a Orplana participam de projeto em parceria com o Instituto de Economia Agrícola que tem como objetivo acompanhar os custos de produção para melhorar a gestão e alocação e uso dos fatores de produção. Nesse sentido o acompanhamento dos custos horários de máquinas e equipamentos assume importância para a tomada de decisão e gerenciamento dos sistemas mecanizados.

O objetivo deste trabalho é calcular e analisar os custos dos diferentes itens de custos variáveis dos custos horários de tratores, colhedoras e caminhões utilizados na cultura da cana-de-açúcar nas principais regiões do estado de São Paulo.

A definição dos sistemas de produção e da amostra foi através da identificação das sete regiões mais representativas no Estado em relação à quantidade de cana fornecida às usinas e ao número de fornecedores.

Foram realizadas entrevistas dirigidas, com perguntas fechadas, junto a 67 fornecedores das associações municipais ligados à ORPLANA de: Piracicaba (Piracicaba e Capivari); Ribeirão Preto (Sertãozinho); Catanduva (Monte Aprazível), Araraquara (Araraquara); Assis (Assis); Jaú (Jaú e Lençóis Paulista); e Araçatuba (Valparaíso e Andradina). As entrevistas consistiram ainda em perguntas abertas com o intuito de averiguar os sistemas de produção, uso de mão de obra e evolução do nível de mecanização das operações.

Para o cálculo do custo de máquinas e equipamentos; considerou-se a metodologia de classificação tradicional de custos em fixos e variáveis. Os custos variáveis são os custos associados diretamente ao uso dos bens de capital, como combustíveis, filtros, óleos lubrificantes, pneus, peças, mão de obra mecânica etc.

Estes custos são constituídos dos componentes como reparos e manutenção, além de custos com operações.

REPAROS E MANUTENÇÃO

Os custos com reparo e manutenção são os custos realizados para manter os bens de capital em plena condição de uso. Em geral, eles estão relacionados com a intensidade de uso. Nesse estudo, os custos com reparos foram calculados pela estimativa de uma taxa percentual anual em função do valor inicial. Os gastos com manutenção preventiva foram calculados pela somatória das despesas com lubrificantes, filtros e graxas, obedecendo ao período de substituição recomendado pelos fabricantes.

CUSTO COM OPERAÇÕES

Custos com operações são os gastos realizados com o uso das máquinas, calculados pelo consumo de combustível. O cálculo dos custos horários de máquinas utilizado pelo Instituto de Economia Agrícola descrito por MARTIN et al (1998), utiliza os dados fornecidos pelos fabricantes em relação a manutenção preventiva (consumo de óleos lubrificantes, graxas, filtros aditivos e outros elementos substituíveis na manutenção dos tratores, colhedoras e caminhões), multiplicados pelos valores de horas utilizados em cada operação.

Para o item reparos determinou-se uma porcentagem do valor inicial em relação às horas de uso anual para cada máquina. O levantamento de campo ocorreu no período de agosto a novembro de 2011 e os preços dos insumos e serviços utilizados nas estimativas referem-se aos praticados no mês de outubro de 2012.

Os dados apresentados na tabela 1 referem-se aos gastos com manutenções e depreciação na utilização dos equipamentos nas operações da cultura nas regiões do estado.

A operação de colheita e transbordo são as de maior custo com mecanização nas fases da cultura. Para essa operação observa-se que a região de Assis apresenta maior valor o que pode ser explicado pela maior produtividade e maior número de utilização de horas máquinas.

A região de Jaú apresenta menor produtividade e também menor número de horas para o corte e transbordo por hectare. Os fornecedores de cana de Lençóis Paulista apresentam menores dispêndios por apresentarem melhor desempenho operacional na operação de máquinas embora apresentem menor produtividade.

No caso da operação de preparo do solo pode-se analisar sob dois aspectos: operações realizadas (Lençóis Paulista) e eficiência no desempenho operacional (Jaú e Assis). Nos municípios onde encontram-se as propriedades de menores áreas observa-se que embora realizem menor quantidade de operações nessa fase, apresentam valores de custos muito próximos a estas regiões por exigirem maior número de manobras em seu conjunto de práticas mecânicas.

Quanto aos itens componentes dos custos horários dos tratores os dados apontam que o item combustível é o de maior dispêndio em todas as regiões e operações, com grande variação em sua participação percentual entre os dois aspectos analisados, esses variam de 40% a 66%.

No caso desse item os dados não apresentam comportamento homogêneo, pois é influenciado pelo sistema de produção, número de operações, força de tração exigida pelo equipamento acoplado e eficiência do sistema.

O valor do item de depreciação é influenciado pelo preço da máquina e apresenta participação percentual entre 14% e 16% nas regiões e operações, despesa que deve ser contabilizada para repor investimento de máquina ao final de sua vida útil.

Tabela 1. Despesas com manutenção e operação dos tratores, colhedoras e caminhões e participação percentual nas diferentes fases da cultura da cana-de-açúcar em sete regiões do Estado de São Paulo, em R$ ha-1.

Onde se gasta Principais custos da manutenção da frota

O item Total refere-se a soma dos gastos de combustível, óleos lubrificantes e aditivos, graxa, componentes de manutenção depreciação e reparos com tratores e equipamentos nas operações em cada fase da cultura.

A participação percentual refere-se ao item da despesa em relação ao total por hectare.

Fonte: Dados da pesquisa.

Os resultados apresentados mostram que mesmo havendo diferenças de técnicas utilizadas na condução da cultura e uso de diferentes potências de tratores nas regiões estudadas mostrou que a colheita mecânica é a operação de maior valor por hectare seguida da operação de preparo de solo. Os valores de participação percentual para o item combustível mostrou-se o maior em todos os casos, seguidos dos reparos e depreciação. Entender as relações existentes entre os aspectos técnicos e econômicos da mecanização é estratégico na gestão eficiente dos sistemas mecanizados.

Fonte: Grupo Cultivar

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