Fatores que afetam a erosão

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Por Marihus Altoé Baldotto

Diversos fatores afetam a erosão do solo, tais como clima, solo relevo, vegetação e manejo. A chuva é o principal fator climático relacionado à erosão. Contudo, a mesma intensidade de chuva pode levar a diferentes situações erosivas, a depender dos demais fatores que afetam a erosão.

Dois aspectos, mais importantes, são a quantidade e a duração da chuva. Quanto maior a chuva, mais intenso tende a ser o escoamento. À duração, deve sempre acompanhar o dado de intensidade pluviométrica. Assim, os mm precipitados terão distintos efeitos se acontecerem com mais ou menos duração. Além da quantidade e da duração, a frequência entre os eventos de chuva é fundamental para a avaliação do processo erosivo.

De forma geral, intervalos mais curtos tendem a manter o solo mais úmido e, assim, diminuir a taxa de infiltração. O impacto da gota (seu tamanho) e a enxurrada, portanto, são fundamentais na compreensão da energia cinética, que gera o trabalho, como fator causador da erosão. Pode ser demonstrado que a energia da gota da chuva é dezenas e, ou, em casos extremos, centenas de vezes, superior à da enxurrada.

Dessa forma, adverte-se sobre a importância da manutenção da cobertura do solo. Vale ressaltar, entretanto, que o efeito desagregador do impacto da gota da chuva, impele ao selador, ou de entupimento de poros, diminuindo drasticamente a infiltração e incrementando a velocidade das enxurradas, num ciclo maléfico ao solo.

Solo

Quando são atingidas a capacidade de armazenamento, a permeabilidade e a infiltração de água no solo, as forças de desagregação, dispersão, transporte pelo escoamento da enxurrada levam à aceleração do processo erosivo. Os fatores, portanto, que melhoram a agregação e a estruturação do solo, teor e qualidade de argila e de matéria orgânica do solo, tendem a condicionar solos menos propensos ao processo erosivo.

Quanto à textura, especialmente, pode-se inferir que solos arenosos, por exemplo, tendem a maior capacidade de infiltração. Por outro lado, tem desvantagens do ponto de vista de agregação, podendo ter perdas de material, sobretudo em locais de declividade acentuada. Os muito argilosos, no entanto, apesar da boa agregação, uma vez desagregados, dado o menor tamanho das partículas, tendem a sofrer entupimento e, portanto, a desenvolver camadas de menor permeabilidade, favorecendo a formação e a velocidade das enxurradas.

Relevo

O aumento de declividade do terreno acentua a velocidade de escoamento hídrico. Quanto mais longa distancia percorrida pela enxurrada, sob declive, maior tende a ser a erosão. A noção informal de efeito “bola de neve” pode fornecer analogia para o aumento da velocidade e das perdas de solo ao longo de uma distancia superficial diferença de nível.

Geralmente, na medida em que dobra o comprimento da superfície percorrida pela enxurrada, dobra-se, também, a erosão. Há, ainda, o formato da encosta. Paisagens côncavas apresentam predomínio de erosão em sulcos e, ou, voçorocas, devido à tendência de concentração do fluxo hídrico. Nas encostas convexas, no entanto, a dispersão das enxurradas pela área tende a favorecer a erosão laminar.

Vegetação

A vegetação é o principal fator de proteção do solo em sistemas naturais. Atua na captação da água das chuvas e na sua distribuição no perfil do solo, abastecendo os lençóis e conferindo à bacia hidrográfica o balanço equilibrado dos fluxos d’água. Gera matéria orgânica que incrementa a agregação do solo.

Fixando os outros fatores como clima, fertilidade, relevo, pode-se afirmar que espécies anuais e em monocultura, tendem a proteger menos o solo que a diversificação das espécies, sobretudo combinando as de crescimento rasteiro e sistema radicular superficial, isto é, gramíneas, com as de crescimento exuberante e raízes profundas, como as florestas.

Diversos arranjos vêm sendo testados como estratégias de manejo do solo, visando aumentar a sua proteção pela manutenção de cobertura, sem perder de vista a questão econômica. O sistema plantio direto tem sido apontado como eficiente para manter e aumentar a cobertura do solo e a matéria orgânica, conferindo menores perdas por erosão, aumento da fertilidade e do retorno econômico ao longo dos anos.

Consideram-se, também, os sistemas agroflorestais e, ou, agrossilvipastoris, como adequadamente aceitáveis, tanto economicamente, como ecologicamente. São, contudo, ainda pouco representativos em termos de área plantada.

Manejo

Manejar a cobertura do solo é o fator preventivo mais eficiente. Ao passar de ecossistema para agroecossistema, é natural que maiores perdas aconteçam. Contudo, pode-se atenuar e, em alguns casos, até se assemelhar ou melhorar a fertilidade do solo e, ou, frear o processo de assoreamento e poluição dos cursos d’água, controlando a erosão.

O manejo inadequado da cobertura do solo o predispõe ao impacto das gotas das chuvas, que resultam em aumento da erosão. São tais fatores que impeliram ao desenvolvimento do sistema de plantio direto e similares.

Esse é o terceiro texto do artigo sobre “Conservação do solo e da água”. 

Leia a continuação deste artigo nos links:

4 – Controle da erosão

Para ler o primeiro artigo, acesse: Práticas conservacionista e controle da erosão.

Em breve, mais um artigo da Série “Especial Solos”.

Até lá!

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