Gestão de plantas daninhas em grandes lavouras

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Colunista Convidado Dib Nunes

O conceito norte americano de produção em grande escala, conhecido como “Plantation”, trouxe novos desafios aos produtores de milho, soja, cana-de-açúcar e outras plantações que se utilizam de extensas áreas com estas culturas.

Os produtores, na medida em que ampliam suas áreas de plantio, encontram enormes desafios para realização da fertilização adequada, controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Quanto maior é a lavoura, maiores são as desuniformidades e problemas encontrados. Para realizar o controle da lavoura e ainda obter boas produtividades, os produtores estão aperfeiçoando cada vez mais suas tecnologias de produção e a gestão do seu negócio.

Hoje em dia, os agricultores precisam utilizar tecnologias e métodos de gestão, além de serem bons executivos para administrar cada detalhe das várias etapas de produção e ter sob controle, todos os fatores redutores de produtividade. Para entender tudo isso vamos dar um exemplo de como se deve proceder para gerenciar a infestação das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar.

Esta cultura tem ciclo semiperene e depois de implantada, permanece no campo por mais cinco a seis anos, em média. Neste período passa por situações climáticas extremamente diferentes, pois suas lavouras demandam controle de infestações o ano todo.

Os produtores têm que se preocupar com as condições ambientais e com as espécies de plantas daninhas infestantes, considerando, inclusive, o estágio de desenvolvimento das mesmas. Nesse caso, os responsáveis pelo controle das plantas invasoras vão encontrar na cultura da cana períodos climáticos úmidos, semiúmidos e secos.

Para ter uma adequada visão do que ocorre com as infestações de daninhas nas grandes lavouras, recomendamos a adoção do GCM – Grupo de Combate ao Mato, que é uma estratégia operacional cujo objetivo é impedir que o mato concorra com a cana, principalmente nas fases iniciais do seu desenvolvimento.

O GCM deve ser formado por técnicos experientes para realizar levantamentos periódicos em toda a lavoura antes e depois da aplicação dos herbicidas, principalmente nos períodos mais críticos da matocompetição, de modo a obter informações suficientes para tomar decisões sobre as áreas que se apresentam com mais problemas, evitando assim que a cultura sofra com a concorrência do mato e perca produtividade.

Os levantamentos semanais de campo devem seguir um critério de notas de zero a 5, onde são considerados a intensidade de infestação e o tamanho do mato para priorizar onde controlar o mato, sendo que as áreas com notas mais altas terão prioridade de controle.

Todas as semanas, os responsáveis pelos levantamentos, devem se reunir e atualizar as informações para elaborar novas programações. Aquelas áreas que já receberam herbicidas devem ter acompanhamento pós aplicação. Assim, os resultados de controle serão avaliados quanto ao espectro dos produtos, plantas daninhas escapes e as controladas, interferências de fatores externos como umidade, palha, seca, etc. e o período residual dos produtos.

Desta forma, a lavoura estará sendo monitorada antes e depois da aplicação e o agricultor terá uma correta análise dos efeitos dos produtos aplicados. Os melhores resultados devem ser repetidos e os ruins deverão ser revistos e evitados na mesma condição em que foram aplicados. É um aprendizado permanente que vai ajudar os gestores a conseguir bons resultados e a garantir a produtividade agrícola.

Este sistema dará uma nova dinâmica ao controle de plantas daninhas e trará um constante aprimoramento aos técnicos envolvidos nesta importante etapa do sistema produtivo. Este método pode ser adotado para todas as culturas.

Dib Nunes Jr. é Engº Agrº do Grupo IDEA ([email protected]).

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