Manejo de perdas na colheita mecanizada de algodão

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A colheita do algodão é uma etapa de alto custo e de extrema importância no processo produtivo da cotonicultura, pois, se for mal conduzida, poderá acarretar prejuízos quantitativos no produto final. É neste momento que o produtor aguarda o retorno de todos os investimentos e trabalho realizado, entretanto, nem sempre eles conseguem obter os melhores rendimentos por falta de condições adequadas.

As perdas na colheita do algodão ocorrem em função dos mais variados fatores, dentre os quais se destacam o ponto de maturação, as condições de colheita, as regulagens das máquinas, velocidade de colheita, tipo de máquina, tipo de solo, variedade e fatores climáticos.

Nesse sentido, no momento da colheita podem ocorrer alguns erros, e para que esses possam ser observados e corrigidos é importante monitorar as perdas na colheita, caracterizadas pela presença do algodão que se encontram no chão e algodão que permanece na planta após passagem da colhedora, bem como a perda de peso devido ao atraso na colheita.

Pesquisadores da Unesp e da Universidade Federal do Mato Grosso realizaram pesquisa de campo avaliar a produtividade e as perdas na colheita do algodão em função de duas cultivares e duas velocidade de colheita. A pesquisa foi realizada no estado de Mato Grosso, na safra de 2011/2012, no campo de produção da Fazenda Mirandópolis, localizada a 60 km de Rondonópolis.

O algodão foi produzido em sistema de cultivo convencional, semeado em dezembro de 2011 sobre sistema de semeadura direta (palhada de milheto e capim sudão), com espaçamento entre fileiras de 0,90 m e população de 100.000 plantas/ha.

As cultivares avaliadas foram a cultivar FMT 705 e FMT 701, ambas pertencentes à Fundação Mato Grosso. As velocidades de colheita avaliadas foram 3,6 km/h e 7,2 km/h. Como delineamento experimental no campo, utilizamos o delineamento em blocos casualizados em esquema de parcelas subdivididas, ou seja, as cultivares pertenciam às parcelas de cada bloco e cada passada da colhedora com a velocidade de 3,6 km/h ou 7,2 km/h correspondiam às subparcelas, totalizando quatro tratamentos, cada um com seis repetições.

A colheita mecânica foi realizada com colhedora de algodão, marca John Deere, modelo 9970, com potência de 186 kW (253 cv), ano 2001, apresentando 3.886 horas trabalhadas, com plataforma de 4,5 m de largura e cinco linhas de colheita. O equipamento foi conduzido pelo mesmo operador durante todo o experimento observando cada velocidade de deslocamento e rotação de trabalho.

A produtividade de algodão em caroço foi determinada em área útil de 3,6 m2, equivalentes a três linhas de dois metros de comprimento em cada parcela, recolhendo-se manualmente todos os capulhos presentes nas plantas antes da colheita mecanizada.

O levantamento de perdas na ocasião de colheita foi determinado através da coleta das perdas pré-colheita (algodão caído no solo antes da colheita mecanizada), perda no solo (algodão caído no solo após a passagem da colhedora) e perda na planta (algodão que permanecia na planta após a passagem da colhedora). A área de amostragem para todas as avaliações foi de 3,6 m2 (sendo três linhas com dois metros de comprimento), totalizando seis repetições por tratamento.

As amostras foram devidamente coletadas, armazenadas e identificadas Posteriormente foram corrigidos todos os valores dos pesos das amostras em gramas para kg/ha, efetuando-se também, o cálculo da perda total, que foi obtido pela soma simples das médias de perdas no solo e perdas na planta. Determinou-se também a Perda Percentual, relacionando as perdas totais com os valores de produtividade obtidos por cada cultivar. O teor médio de água no algodão em caroço na ocasião da colheita era de 9,5%.

Por meio de estatística, os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância e as comparações entre as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Segundo os resultados obtidos no experimento, de acordo com a produtividade coletada manualmente, a cultivar FMT 705 alcançou a maior produtividade de algodão em caroço, totalizando 3929,5 kg/ha, superando a produtividade da FMT 701, que resultou em 3306,2 kg/ha (Figura 1).

figura 1

Figura 1. Resultados médios de produtividade de algodão em caroço antes da colheita mecanizada.

Na ocasião da colheita manual para obtenção da produtividade, avaliou-se as perdas pré-colheita, verificando-se que a mesma foi desprezível, não sendo, portanto, considerada nas avaliações.

Avaliando os resultados de perdas na colheita (Figura 2), vimos que as cultivares não apresentaram diferença entre si para perdas no solo e na planta, entretanto, para perdas totais a cultivar FMT 705 resultou no maior resultado (514,7 kg/ha). Possivelmente, esse resultado deu-se em função desta cultivar ter obtido a maior produtividade em relação a cultivar FMT 701, consequentemente resultou em maiores perdas.

figura 2

Figura 2. Resultados médios de perdas no solo, perdas na planta e perdas totais para as cultivares FMT 705 e FMT 701.

O resultado médio para perda total percentual não apresentou diferença significativa entre as cultivares, resultando em 13% para a cultivar FMT 705 e 11% para a cultivar FMT 701.

Quando se avaliaram as perdas na colheita entre as diferentes velocidades de colheita, observamos diferença significativa para perdas no solo e perdas totais. As perdas na planta foram semelhantes entre as velocidades.

Foi observado no experimento que quando colhe-se com velocidade de 7,2 km/h, as perdas no solo aumentam, indicando que, o fato de colher com maior velocidade de deslocamento da colhedora, afeta em maior derrubada de algodão no chão por parte dos mecanismos colhedores.

figura 3

Figura 3. Resultados médios para perdas no solo, perdas na planta e perdas totais para as velocidades de 3,6 e 7,2 km/h.

Ressalta-se também que, devido ao fato de aumentar a velocidade de 3,6 para 7,2 km/h, observou-se um aumento de 100 kg/ha de algodão em caroço caído sobre o solo.

Para perdas totais observou-se um total de 385 kg/ha colhendo com velocidade de 3,6 km/h e 510 kg/ha colhendo com 7,2 km/h. Observou-se um aumento de 125 kg/ha entre as velocidades de colheita.

figura 4

Figura 4. Resultados médios para perda total percentual dentre as velocidades de colheita.

Em razão da existência de poucos trabalhos sobre as perdas na colheita de algodão utilizando diferentes velocidades, podemos comparar com pesquisas que analisaram a influência da velocidade nas perdas na colheita de soja, observaram que com o aumento da velocidade de deslocamento da colhedora, ocorre o aumento das perdas, sendo estas mais expressivas com velocidades acima de 7 km/h; esses resultados estão de acordo com o presente trabalho que resultou em maiores perdas na velocidade de 7,2 km/h (14,1%).

Em geral, os valores obtidos estão abaixo dos encontrados por Silva et al. (2007) que observou perdas totais em torno de 16,7% em colheita de algodãoporém, os resultados situam-se próximos dos limites observados na literatura, onde, nas condições de cerrado, como é o caso da área em questão, as perdas totais resultaram entre 9% e 12,5%.

Os elevados índices de perdas na presente pesquisa, provavelmente, foram inerentes de regulagens inadequadas dos mecanismos colhedores e desfibradores; ou até mesmo nas placas de compressão das plantas sobre os tambores de colheita, no qual estas devem ser verificadas e ajustadas de forma que os fusos colham o máximo de algodão em caroço, minimizando assim, as perdas de algodão caído sobre o solo.

De acordo com tudo que foi discutido, o produtor deve atentar-se na ocasião de colheita, pois, para evitar parcialmente as perdas nessa ocasião, uma série de cuidados devem ser tomados para maximizar o rendimento da cultura, tais como: tempo de uso da máquina e o treinamento dos operadores, pois esses fatores diminuem o rendimento da colhedora, bem como o monitoramento da velocidade de colheita e das regulagens dos tambores de colheita, pois, conclui-se com os resultados da presente pesquisa que, velocidades em torno de 7,2 km/h ocasionam maiores perdas na colheita do algodão quando comparado à velocidades na média de 3,6 km/h, significando, consequentemente, reduções significantes na produtividade final.

Fonte: Grupo Cultivar

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