Manejo de pragas é essencial para garantir a produtividade dos canaviais

0

Por José Antonio Rossato Jr.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar com 645 milhões de toneladas processadas na safra 2016/17 (Orplana, 2017). Essa produção poderia ser ainda maior, porém há fatores do ambiente que diminuem a expressão plena do potencial produtivo da planta de cana-de-açúcar. Dentre eles, as pragas agrícolas podem prejudicar a produção de forma quantitativa e qualitativa e, portanto, devem ser bem manejadas a fim de preservar a produtividade da lavoura.

Atualmente, os três principais insetos-pragas de ocorrência nas áreas de cana-de-açúcar na região Centro-Sul e com alto potencial em causar prejuízos significativos são: a broca-da-cana, Diatraea saccharalis (Lepidoptera: Crambidae), a cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata (Hemiptera: Cercopidae) e o bicudo-da-cana, Sphenophorus levis (Coleoptera: Curculionidae).

A broca-da-cana pode causar a morte da gema apical (sintoma também conhecido como “coração morto”), quebra da cana, enraizamento aéreo, brotação das gemas laterais, encurtamento dos entrenós e perda de produtividade.

Os danos não se limitam ao campo, pois as galerias construídas pelas lagartas facilitam a penetração de fungos oportunistas nos colmos, responsáveis pela inversão da sacarose e redução do rendimento industrial. Prejuízos segmentados por produto mostram redução de 1,5% na produtividade de colmos, 0,49% no rendimento de açúcar e 0,28% no rendimento de etanol (Arrigoni, 2002). Para o seu controle, a técnica mais usual é a liberação do parasitoide larval Cotesia flavipes (Hymenoptera: Braconidae).

No entanto, em áreas com alta pressão da população da praga, há inseticidas químicos, bem como o entomopatógeno Bacillus thuringiensis, que são indicados para o controle da larva antes de sua penetração no colmo. Ainda, o parasitoide de ovos trichogramma galloi (Hymenoptera: Trichogrammatidae) tem sido testado como uma ferramenta de controle adicional da broca-da-cana.

Já a cigarrinha-das-raízes, tem aumentado de forma considerável a sua população nas áreas de cana-de-açúcar em decorrência da redução da prática de queima das plantas para colheita. Com a introdução da cana-crua, a colheita dos colmos é realizada sem a necessidade do fogo, o que preserva os ovos da praga e permite que a sua população se desenvolva e atinja níveis elevados no campo. Tanto a fase jovem do inseto (ninfa) como o adulto podem atacar as plantas.

As ninfas se alimentam das raízes, podem comprometer o fluxo de água e nutrientes, causar desidratação, desnutrição e queda na fotossíntese (Rossato, 2010) com necrose nas folhas (Mendonça et al., 1996). Consequentemente, os colmos adquirem diâmetro reduzido, murcham a partir do ápice e podem se tornar secos e enrugados.

A cada 10% de colmos com este sintoma, a redução na produtividade pode atingir 8 toneladas por hectare. Para o controle da cigarrinha-das-raízes, há disponível a tática biológica através do fungo Metarhizium anisopliae, bem como o químico com vários inseticidas registrados.

Recentemente, a praga que tem se destacado em decorrência do aumento da sua infestação nos canaviais é o bicudo-da-cana. O principal motivo desta expansão é o plantio com a presença de formas biológicas do inseto na muda. A fase larval do seu ciclo biológico se alimenta do rizoma (caule subterrâneo) da planta, provoca o amarelecimento das folhas mais velhas e necrose (morte de tecido).

Diferente da broca-da-cana e da cigarrinha-das-raízes, o bicudo-da-cana impacta na longevidade do canavial, haja vista que a morte da touceira não é recuperada e ocorre a diminuição da população de colmos no campo (stand). A cada 1% de rizoma atacado, há redução de 1% na produtividade de colmos (Pires et al., 2014).

Para manejar esta praga, uma das premissas é o plantio de amendoim ou soja nas áreas de reforma, o que contribui sobremaneira com a quebra do ciclo do inseto. Ainda, o plantio de cana-de-açúcar com a utilização de muda com boa qualidade fitossanitária, incluindo a técnica MPB (Muda Pré-Brotada) e a aplicação de inseticida químico no plantio. Caso seja identificada a presença da praga na lavoura, o fungo Beauveria bassiana, bem como inseticidas químicos registrados podem ser utilizados para o seu controle nas áreas de soqueira.

Independentemente de qual destas três pragas esteja ocorrendo na lavoura, é fundamental a realização de amostragens periódicas para constatar a magnitude da população do inseto-praga no campo. E através destes levantamentos, realizar a análise dos dados coletados, e com gerenciamento, tomar a decisão com rapidez e eficiência.

A qualidade da cana

Novos indicadores de qualidade para a matéria-prima começaram a ser analisados nos últimos anos. Hoje, pesquisadores e usinas conseguem dimensionar muito bem o impacto da qualidade da cana sobre o rendimento industrial, insumos e na qualidade do açúcar produzido.

Indicadores como o ATR (Açúcares Redutores Totais), por exemplo, podem sofrer impactos catastróficos devido a danos físicos e ataque de pragas e microrganismos. Por isso, tanto se fala sobre rapidez na tomada de decisão e a eficiência em campo – são fatores determinantes para a saúde e rendimento das safras na cana-de-açúcar.

De acordo com Rafael Souza, Coordenador de Desenvolvimento de Produto do setor de Pesquisa e Desenvolvimento da Strider, só é possível estar atento à todos os detalhes que impactam a produtividade investindo em ferramentas adequadas. Conforme explica Souza, tecnologias para monitoramento de pragas, sensoriamento remoto e gestão de frota são quase indispensáveis para quem deseja manter os índices de qualidade elevados.

Outros fatores que afetam a qualidade da matéria-prima são a temperatura, frequência e quantidade de chuvas, contaminação por bactérias ou fungos, acidez do caldo – ocasionado por microorganismos, quantidade de palhiço, concentração de amido e outros.

Baixe também o E-book gratuito sobre a Gestão de Plantas Daninhas em Grandes Lavouras.

Assine a Revista Strider gratuitamente, envie sugestões de reportagens, dúvidas e novas ideias no e-mail: [email protected] Clique aqui e acesse a 2ª edição da publicação.

Leia mais notícias e novidades no Blog Por Dentro do Agro. Acompanhe nossas redes sociais em Facebook, Instagram, LinkedIn e Youtube.

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.