Manejo integrado da fertilidade do solo

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Por Marihus Altoé Baldotto

Já faz algum tempo que propomos a visão de Manejo Integrado da Fertilidade do Solo para a tomada de decisão – considerando que ela vai muito além da interpretação de atributos químicos, mas sua integração com a física e a biologia do solo, bem como com o ecossistema em que está inserido. Adicionalmente, trabalhamos a fertilidade passo a passo, com manejo conservacionista, de prevenção, e de restituição.

O planejamento do ambiente para alcançar alta produtividade deve considerar a interdependência entre os fatores de produção. Assim, todas as práticas edáficas (que resultam de fatores inerentes ao solo), culturais e vegetativas – como plantio em nível – cobertura do solo, manejo e tratos culturais otimizados, revolvimento mínimo ou plantio direto, entre outras, devem ser integradas para reduzir a correção, condicionamento e restituição com fontes de corretivos, condicionadores ou nutrientes minerais não renováveis.

Considero que a análise de solo possa continuar evoluindo no sentido de indicar o nível crítico (que os colegas da fitossanidade denominam “nível de dano”), para a tomada de decisão do momento e doses de correção, condicionamento e restituição recomendáveis (“nível de controle” para a fitossanidade).

Esse nível de controle, deve antes da aplicação dos agrotóxicos na fitossanidade considerar os manejos cultural, edáfico, biológico e outros. Para a Fertilidade do Solo, antes de usar um fertilizante mineral com base em recursos naturais não renováveis, independente de ideologia, é claro, devemos usar e abusar das práticas conservacionistas na busca de um agroecossistema equilibrado e saudável.

Otimizar o reaproveitamento, uso, reciclagem dos resíduos orgânicos ou minerais geráveis dentro da unidade produtiva, com controle de qualidade e diminuir as perdas antes, durante e depois da colheita, são caminhos que propomos para a construção e a manutenção da Fertilidade do Solo (sustentabilidade).

Latossolos

Em qualquer opção de manejo, as principais limitações dos solos tropicais, sobretudo a classe dos Latossolos, são o insuficiente desenvolvimento de cargas elétricas negativas (baixa CTC), a elevada absorção específica de fosfatos, a baixa disponibilidade de nutrientes e as altas concentrações de íons alumínios tóxicos.

Essas adversidades podem ser minimizadas com a preservação e o incremento dos teores de carbono orgânico do solo, uma vez que a matéria orgânica apresenta grupos funcionais eletricamente carregados, que aumentam a CTC e diminuem a adsorção específica de P, disponibilizam nutrientes e têm a capacidade de complexar íons alumínio, reduzindo sua toxicidade.

Assim sendo, os Latossolos, que se distribuem por, praticamente, todo o território nacional, como a classe de solos mais representativa do Brasil, são de grande potencial para agricultura. Espera-se que preservar os estoques de matéria orgânica e promover o sequestro de carbono seja uma forma eficiente de iniciar a melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas dos Latossolos.

Atributos químicos, físicos e biológicos

O manejo do solo deve otimizar os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, inter-relacionados. Entretanto, pontuando cada um deles, pode-se dizer que na Química do Solo, há processos significativamente influenciados pela porosidade, como a adsorção específica de fosfatos pela fração argila, com mineralogia predominantemente composta por “óxidos” de ferro e de alumínio dos Latossolos, um dos fatores limitantes à agricultura tropical.

A física, entre outros fatores, pode influenciar a química do solo quando ocorre a diminuição do espaço entre as superfícies hidroxiladas oxídicas (solo compactado), durante a difusão do íon fosfato no solo, resultando em maior aproximação entre adsorvente (partículas de solo rica em goethita, hematita e gibsita) e adsorvato (fosfatos), agrava o processo de adsorção específica.

Além desta especial interface entre Física e Química do Solo, no caso da dinâmica do fósforo, problemas na porosidade podem afetar a disponibilidade de outros nutrientes, interferindo, por exemplo, nos mecanismos de transporte no solo.

Adicionalmente, a relação entre a matéria sólida do solo, gerando a sua porosidade natural, governará os fluxos de gases (atmosfera do solo) e da solução do solo, afetando equilíbrios químicos e, consequentemente, biológicos no ecossistema solo.

Agregação, estrutura e porosidade são atributos físicos fundamentais para a Fertilidade. E, todos eles advém da qualidade químico/mineralógica e da biologia do solo.

Leia a continuação deste artigo nos links:

2 – Bactérias promotoras de crescimento vegetal na busca pela sustentabilidade
3 – Compactação e erosão do solo: problemas que preocupam a agropecuária

4 – O preparo profundo do solo como alternativa para aumentar a produtividade

Em breve, leia em mais um artigo da Série Especial Solos sobre os “Novos Fertilizantes com Base Sustentável”.

Até lá!

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