O preparo profundo do solo como alternativa para aumentar a produtividade

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Por Marihus Altoé Baldotto

Nos últimos anos – nos quais a seca foi intensa e extensa, o preparo profundo do solo vem sendo abordado como uma alternativa para aumentar a produtividade agrícola. Sendo uma técnica que propõe a resolução de problemas práticos importantes, o preparo do solo não pode ser analisado separadamente, mas deve ser planejado de forma integrada – manejo integrado: pragas, doenças, plantas concorrentes, fertilidade do solo, e outros.

Com o aumento dos problemas físicos do solo, as técnicas conservacionistas vêm sendo a cada dia mais importantes no manejo e conservação. O preparo reduzido almeja a diminuição do número de operações realizadas no preparo convencional, dimensionando equipamentos mais leves.

O plantio direto, já, de certa forma, convencional na produção de grãos e cereais, tem sido adaptado para a implantação de canaviais, especialmente em rotação de culturas com plantas anuais. Sulcadores ou plantadeiras equipados com disco corta-palha à frentes do sulcador permitem a execução do plantio direto na palhada da cultura anterior, mesmo quando há muita biomassa acumulada.

Também, à semelhança do preparo reduzido, deve-se atentar para problemas limitantes (físicos, químicos e biológicos). Contudo, em se tratando apenas da compactação, pode-se adaptar o plantio direto realizando subsolagem para a quebra da camada compactada, sem revolver o solo, efetuando o plantio mantendo o restante do terreno sem revolvimento e com a palhada acamada.

É recomendável verificar a necessidade de práticas de controle da erosão. Na maior parte das vezes, as lavouras são instaladas em solos de relevo suave a ondulado (declividade inferior a 20%), mas como requerem mecanização intensa sobre solos com elevados teores de argila, problemas físicos podem acontecer e desencadear alterações químicas e biológicas limitantes para a produtividade da cana.

Chamo atenção para a verificação da necessidade de dimensionamento de práticas mecânicas, como o terraceamento, tanto para aumentar a infiltração da água no solo (terraços em nível), como, por outro lado, para desviar a água superficial para um escoadouro natural (terraços em desnível), quando o solo não apresentar adequada capacidade de infiltração e estiver em uma região de elevada pluviosidade.

A distância e a profundidade do canal devem ser dimensionadas, por exemplo, em função da classe de solo, da declividade do terreno, do manejo da cultura e do regime pluviométrico. Considero que o terraceamento, bem dimensionado, é importante prática de controle da erosão hídrica, mas não descarta as práticas conservacionistas edáficas e vegetativas, especialmente, a correta alocação das linhas de plantio em solos de aptidão agrícola e capacidade de uso adequados.

Nosso grupo de pesquisa atua na adubação, fisiologia e nutrição de plantas estimuladas por substâncias húmicas e/ou bactérias promotoras de crescimento. Uma revisão do que temos realizado foi recentemente publicada na edição especial da Revista Ceres, no seu aniversário de 75 anos. Leia aqui.

Esse é o quarto texto do artigo Manejo Integrado da Fertilidade do Solo

Para ler os outros textos, acesse: 

2 – Bactérias promotoras de crescimento vegetal na busca pela sustentabilidade
3 – Compactação e erosão do solo: problemas que preocupam a agropecuária

Em breve, um novo artigo da Série Especial Solos sobre o tema “Novos Fertilizantes com Base Sustentável”.

Até lá!

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