Oculto e abundante: manejo do bicudo do algodoeiro

Por Eduardo Moreira Barros e Jacob Casoriol Netto

0

O bicudo-do-algodoeiro, Anthonomus grandis Boheman, 1843 (Coleoptera: Curculionidae), é a principal praga da cultura do algodoeiro no Brasil, responsável por perdas de produtividade de até 75%, quando não manejado. Este inseto permanece a maior parte de seu ciclo (fase de ovo, larva e pupa) no interior dos botões florais e maçãs do algodoeiro, o que dificulta o controle da praga. De fato, esta característica protege as fases de desenvolvimento do bicudo-do-algodoeiro da ação dos inimigos naturais e, principalmente, das aplicações de inseticidas. Assim, os adultos do bicudo-do-algodoeiro são praticamente os alvos das aplicações.

O bicudo-do-algodoeiro coloniza as lavouras de algodão, assim que a cultura emite os primeiros botões florais, estruturas preferidas para alimentação e oviposição. Esta colonização ocorre através de migrações da praga a partir de áreas de refúgios (matas, beira de açudes, rios, etc). A colonização pode ser resultante ainda dos bicudos mantidos em plantas remanescentes na entressafra da cultura, em beira de estradas e vicinais, plantas tigueras de algodão e rebrota de algodoeiro nos talhões, devido à destruição incorreta. Em épocas de pressão elevada da praga, é observada colonização das lavouras ainda em fase vegetativa.

Os altos níveis populacionais da praga nas lavouras têm sido influenciados pelo manejo da praga na safra anterior. Isto porque o bicudo-do-algodoeiro que está colonizando a área é aquele residual da safra passada. Assim, espera-se que ao realizar um bom manejo da praga na safra anterior – especialmente no final do ciclo do algodoeiro – e uma destruição bem feita de soqueira, a população que irá colonizar a lavoura subsequente seja reduzida.

Devido à pressão do bicudo-do-algodoeiro neste início de safra do algodão, os produtores devem ficar atentos à importância das ações iniciais de controle da praga. Caso neste primeiro momento, em fase vegetativa, o monitoramento e controle nos talhões não sejam rigorosos e efetivos, o produtor tem alto risco de sofrer falhas de controle do bicudo, ocasionando prejuízos severos à sua lavoura.

A adoção de medidas de manejo na fase inicial da cultura (desde antes do pré-plantio até o florescimento) é fundamental para o monitoramento, conhecimento da situação da praga nos talhões e controle na infestação inicial. A equipe do IMAmt está implementando em Mato Grosso um projeto de controle efetivo do bicudo-do-algodoeiro, com o objetivo principal de apoiar, organizar e conduzir os produtores para o uso de medidas de manejo, para a redução populacional da praga. Várias ações de manejo, que envolvem todo o processo produtivo, vêm sendo recomendadas.

Leia também: Manejo de perdas na colheita mecanizada do algodão

Dez ações importantes na fase inicial do cultivo

1- Levantamento do histórico de infestação nos talhões, mapeando os focos conhecidos do bicudo (portas de entrada e saída), identificando possíveis áreas de refúgio. Com a identificação destes focos, planejar, antecipar e executar medidas de controle diferenciadas.

2- Monitoramento de áreas de soja que sucedem algodão, verificando a presença e intensidade de soqueira ou tiguera de algodoeiro, e, em áreas com alta intensidade, realizar a inclusão de inseticida na dessecação da soja.

3- Instalação de armadilhas com feromônio (Grandlure) 30 dias antes do plantio e mantê-las até emissão dos primeiros botões florais. A instalação deve ser feita no perímetro dos talhões, numa distância de 150 metros entre si, com troca de feromônio a cada 15 dias. Estas armadilhas devem ser monitoradas semanalmente e os dados organizados para acompanhamento da flutuação populacional da praga.

4- Os plantios devem ser realizados com calendário de semeadura concentrados, principalmente em talhões vizinhos.

5- Treinar os monitores de pragas para realização do monitoramento das armadilhas e inspeção visual.

6- Realizar aplicações dos inseticidas com equipamentos ideais e regulados, em horários adequados, priorizando as técnicas recomendadas pela Tecnologia de Aplicação.

7- As aplicações em bordadura devem ser iniciadas a partir do aparecimento da terceira folha, sendo conduzidas até o final da safra. A aplicação deve ser realizada de forma sequencial, a cada cinco dias, devendo evitar o uso de inseticidas piretroides, para não causar surtos de ácaros, mosca-branca e pulgões. Após o florescimento, atenção especial no monitoramento, para início das aplicações em área total.             

8- Aplicações nas áreas em fase vegetativa devem ocorrer de acordo com o monitoramento (dados obtidos em armadilhas). Como sugestão: tendo até duas armadilhas com bicudo, aplicar nos raios de ação da armadilha e das armadilhas vizinhas; acima de duas armadilhas com bicudo, aplicar em todo o talhão.

Vale ressaltar que o histórico de captura de bicudo/armadilha/semana (número BAS) determina a definição das zonas de infestação, auxiliando nas aplicações a partir do surgimento do primeiro botão floral (B1). A classificação das zonas de infestação segue os seguintes parâmetros:

Zona verde – 0 BAS, sem necessidade de aplicação;

Zona azul – 0 a 1 BAS, fazer uma aplicação;

Zona amarela – 1 a 2 BAS, fazer duas aplicações sequenciais, com intervalo de cinco dias;

Zona vermelha – acima de 2 BAS, fazer três aplicações sequenciais, com intervalo de cinco dias.

 9- O monitoramento no interior dos talhões, através da inspeção visual das plantas, deve ser realizada desde a fase inicial.

10- Realização de ações conjuntas e troca de informações entre os produtores. Isso contribuirá para um melhor entendimento do ataque do bicudo-do-algodoeiro e seu manejo em cada propriedade, bem como ter a padronização de boas ações.

Clique aqui para ler a matéria completa do Grupo Cultivar.

Já está sabendo do Strider Day, o evento que vai revolucionar o agronegócio, com debates impactantes sobre tecnologia? Clique aqui e garanta já sua presença!

Leia também: Soja: Formação do preço da nova safra do Brasil está sem referênciaAcompanhe nossas redes sociais em FacebookInstagramLinkedIn e Youtube.

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.