A praga da colheita mecanizada na cana-de-açúcar

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por Dib Nunes Jr.
Engº Agrº Grupo IDEA I [email protected]

A cigarrinha das raízes da cana-de-açúcar, Mahanarva fimbriolata, era considerada uma praga secundária no período em que o fogo era utilizado intensivamente para despalha da cana na colheita manual, pois destruía as formas biológicas da praga, especialmente ovos em diapausa.

Com a promulgação da Lei Estadual nº 11.241 de 19 de setembro de 2002 – que previa a adoção da colheita mecanizada de cana sem a queima prévia – inúmeros benefícios agronômicos e ambientais foram proporcionados ao setor sucroenergético, atingindo cerca de 95,7% da área na safra 2016/17 no Estado de São Paulo. Isso não trouxe somente ganhos ambientais, mas também obrigou os técnicos a re-estudarem algumas pragas da cultura, que encontraram sob a palha que permanecia nos talhões, o habitat ideal para a multiplicação da sua população, como aconteceu com a cigarrinha das raízes da cana- de-açúcar.

A quantidade de palha remanescente da colheita trouxe as seguintes alterações no ambiente de produção:
um aumento significativo das raízes superficiais nos locais de alimentação das ninfas, manutenção de temperaturas mais estáveis no solo, elevação da umidade do solo e proporcionou uma maior proteção das formas imaturas (ninfas das cigarrinhas) contra o ressecamento. As ninfas da cigarrinha das raízes, produzem uma espuma na base dos colmos, na base da cana e na região das raízes mais superficiais, que as mantêm protegidas até atingirem a fase adulta.

O ataque desta praga, segundo pesquisadores, pode resultar em perdas na produtividade agrícola que variam entre 15% e 80%, e na qualidade da matéria-prima, com reduções de até 30% no teor de sacarose. Os prejuízos atribuídos à cigarrinha- das-raízes são decorrentes da extração de seiva das folhas e raízes da cana por adultos e principalmente pelas ninfas, respectivamente, e da injeção de toxinas pelos adultos durante o processo de sucção.

10 métodos de controle da cigarrinha das raízes: 

1- Antecipar a colheita e a reforma da cana-de-açúcar;

2- Controlar eficientemente as plantas daninhas hospedeiras nos canaviais mais afetados;

3- Alterar a palha a cada três linhas ou afastar a palha da linha nas áreas com menor infestação;

4- Evitar cana bisada;

5- Não utilizar subdoses de inseticidas;

6- Efetuar aplicações bem-feitas em jato dirigido no sistema 70/30;

7- Nas aplicações aéreas, aumentar a dose de 15% a 20%, fazendo o mesmo para populações iniciais
muito acima do Nível de Dano Econômico;

8- Usar no controle biológico o fungo Metarhizium anisopliae, que é recomendado como forma auxiliar ou preventiva de controle;

9- Aplicar antes da população aumentar, quando a média está entre 0,5 e 1,5 ninfas por metro. Retornar
à área após a aplicação para verificar se houve bom controle, através de nova amostragem;

10- Escolher as dosagens dos produtos com auxílio de especialistas.

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