Produtividade verde

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Com origem no latim “sustentare”, que significa apoiar, sustentar, o conceito de sustentabilidade está amplamente ligado à boas práticas, e tem sido muito utilizado para dar destaque a ações em prol do meio ambiente, da comunidade ou até mesmo da economia.

Percebendo a mudança de comportamento de investidores e clientes, que estão em busca de empresas que se preocupam com a sociedade como um todo, os novos modelos empresariais de gestão sustentável incentivam processos que focam tanto nos retornos financeiros, quanto nos sociais. A empresa mineira Be Green, dos sócios Giuliano Bitencourt, 26, e Pedro Graziano, 29, tornou o conceito realidade em Belo Horizonte.

Fundada em 2015, a Fazenda Urbana Be Green surgiu da vontade dos sócios em desvendar o processo de produção dos alimentos, além de reduzir o desperdício causado pela distância entre produtores e compradores. “Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que 70% dos vegetais produzidos no campo são desperdiçados entre a saída do local de plantio e o consumidor final”, conta Bitencourt.

No processo da Be Green, apenas 2% da produção é descartada.A perda fica restrita à sementes ou vegetais que não se desenvolvem. Para que a produção dos 21 tipos de folhosos e temperos seja feita assim, de forma sustentável, toda a tecnologia foi desenvolvida pela dupla. Na Fazenda Urbana é possível fazer controle de Ph, temperatura, entrada de luminosidade, entre outros vários fatores que impactam diretamente na produtividade e qualidade.

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(Be Green/ Divulgação)

A Fazenda Be Green, primeira fazenda urbana da América Latina, é uma estufa de 1.500 m2 que ocupa uma área externa de um shopping center da capital. Por lá, todo controle de pragas é feito com produtos biológicos ou vegetais, sem uso de agrotóxicos na produção. Além disso, o alimento para as plantas vem de um tanque com mais de 500 tilápias.

Neste processo, chamado de aquaponia, a urina dos peixes é transformada em alimento para as verduras, depois de passar por um filtro biológico. Após a filtragem, a água com nutrientes é bombeada até a estufa de produção, e depois retorna por encanamento até o reservatório dos peixes. A aquaponia gera uma redução de 90% no consumo de água na comparação com as culturas tradicionais.

CONHECIMENTO ORIENTAL

Tecnologia aliada à produtividade e sustentabilidade são ideais que permeiam a família Tsuge desde 1974. Após saírem do Japão e comprarem terras em Minas Gerais, a família se especializou na produção de abacate, avocado, café e lichia. “A sustentabilidade é um dos valores da nossa empresa. Acreditamos que produzir desta forma é fundamental para a consolidação da empresa e da marca perante os consumidores. “ afirma Paulo
Katsuo Tsuge.

Na fazenda, eles possuem um sistema bem consolidado de manejo integrado de pragas e doenças, se preocupam com a preservação de toda área de Reserva Legal e com a proteção das nascentes de água, além de adotarem o emprego de manejos conservacionistas de solo. O Grupo Tsuge também conta com duas biofábricas em suas propriedades, com objetivo de produzir agentes de controle biológico para o controle da principal praga da cultura do abacateiro (broca-do-abacate). As boas práticas são garantidas ao consumidor por meio dos certificados de qualidade, entre eles a Rainforest, referência em certificação na área socioambiental,
em que o grupo é certificado desde 2010.

PREOCUPAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL

As iniciativas vão além do trato com o campo. Mais de 78.000 quilos de abacate Tsuge já foram doados para o projeto SESC Mesa Brasil, uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício. O grupo também atua no desenvolvimento sustentável da comunidade. “Mantemos parcerias com escolas da rede pública, trazendo jovens para a fazenda, onde demonstramos as boas práticas agrícolas utilizadas, explicando  importância da preservação ambiental e da valorização do trabalho no campo”, conta Paulo.

Em Belo Horizonte, a motivação para uma gestão sustentável também não parou na produção. A Be Green tem na sua equipe 10 funcionários, e todos moram no entorno da empresa. Além de gerar emprego para quem vive nas comunidades locais, a iniciativa busca reduzir a emissão de carbono no deslocamento até o trabalho. “Nossos funcionários recebem um ‘vale bike’, para auxílio na compra de uma bicicleta”, explica Giuliano Bitencourt. Outros benefícios da empresa são uma cesta de produtos orgânicos por mês e a opção de fazerem aulas de yoga ou academia, como chamado “vale saúde”.

Antes de iniciar a produção em Belo Horizonte, Giuliano e Pedro fizeram seus testes por quase dois anos em Betim (MG), em uma fazenda arrendada. “Hoje temos 28 vezes mais produtividade do que tínhamos em Betim”, conta Giuliano. Por mês, são produzidos de 40 a 60 mil pés de hortaliças na estufa, e o plano para 2018 é de inaugurar mais duas fazendas e disponibilizar a tecnologia para outros produtores.

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