Quatro cenários para o futuro do agronegócio

Por Paulo Vicente dos Santos

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O agronegócio tem sido fundamental para manter o crescimento do PIB brasileiro. No geral, o quadro do setor é de otimismo, mas existem algumas preocupações. A população humana provavelmente continuará crescendo a um ritmo de cerca de 100 milhões de pessoas por ano nas próximas décadas. Além disso, os níveis de consumo devem subir na medida em que tentamos erradicar a miséria do planeta.

A pergunta que fica é: como iremos subir o nível de produção de recursos alimentares para atingir os futuros níveis de consumo de maneira sustentável?

Avanços tecnológicos

Uma revolução tecnológica em biotecnologia, robótica e engenharia genética está se formando e vai mudar o agronegócio. No nível de robotização e inteligência artificial estão surgindo tratores e colheitadeiras robotizadas, mas também o uso de drones e adubadoras está criando o que se convencionou chamar de agricultura de alta precisão.

A biotecnologia e a engenharia genética permitem hoje não só a melhoria genética de plantas e animais, mas também a criação de novos organismos contendo modificação e defensivos agrícolas capazes de reduzir, em muito, o número de pragas e ineficiência no processo.

Fazendas verticais para horticultura – e potencialmente fruticultura e floricultura – estão sendo testadas. Sua viabilidade econômica ainda é duvidosa, mas em locais com pouca terra e grande demanda elas podem ser competitivas.

Cenários para o futuro

Forma-se assim uma corrida entre o aumento de consumo e o aumento da capacidade de produção via novos territórios, produtividade e tecnologia. Com tantas incertezas, o recomendável é fazer um estudo de cenários de duas dimensões em que, ao colocar as variáveis opostas, surgem quatro cenários:

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1 – Zona de Desconforto: Combina um avanço lento da tecnologia com um crescimento lento da demanda, gerando um desconforto global. Podemos dizer que atualmente vivemos neste cenário.

2 – Zona de Conforto: Avanço da tecnologia e o crescimento da demanda foram rápidos e se equilibram. É um cenário pouco provável e provavelmente instável.

3 – Colapso: A demanda avança mais rápido do que a tecnologia. É o grande medo de boa parte da comunidade científica.

4 – Abundância: Tecnologia avança mais rapidamente do que o crescimento de demanda. Este cenário prevaleceu logo após cada uma das revoluções tecnológicas e não é impossível. Alguns autores, inclusive, acreditam que estamos à beira dele.

O mercado do agronegócio irá mudar fortemente nas próximas décadas e existem oportunidades e ameaças
para toda esta cadeia. É preciso ficar atento às novas tecnologias, bem como aos novos entrantes vindos de
outras partes do mundo.

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Leia também: Quero parar de andar a pé, mas não preciso de uma FerrariAcompanhe nossas redes sociais em FacebookInstagramLinkedIn e Youtube.

Paulo Vicente dos Santos é PhD e Professor na Fundação Dom Cabral.

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