Strider entrevista: John Deere

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Imagine um cenário em que objetos do dia a dia possuem sensores e fazem leitura de informações dos
seus usuários. Essas informações são transformadas em dados que podem ser usados para tomar decisões
mais inteligentes e assertivas. A Internet das Coisas – ou Internet of Things (IoT) existe e já chegou no agronegócio, deixando equipamentos cada vez mais inteligentes e gerando eficiência nas etapas do processo produtivo.

Felipe Santos, Portfolio Manager e Intelligent Solutions da John Deere, uma das companhias mais admiradas do mundo, contou para a Strider sobre o uso dessa tecnologia na companhia. Buscando conhecer e entender as
necessidades dos negócios e dos clientes, a John Deere investe cerca de US$ 4 milhões por dia em pesquisa e
desenvolvimento.

S: A John Deere trabalha com IoT em duas grandes áreas: embarcada e digital. Qual a principal diferença entre elas e onde cada uma pode ser encontrada dentro da gama de produtos da empresa?

F.S: Quando falamos de tecnologia embarcada, temos como referência as soluções que estão nas máquinas, sejam elas coletando dados, processando ou mesmo informando o operador que está executando o trabalho. As nossas tecnologias embarcadas também são responsáveis por transmitir as informações (das máquinas ou agronômicas) coletadas por meio da solução de agricultura de precisão. Já as tecnologias digitais são soluções de plataformas de dados e aplicações, que chamamos de off-board. Elas são as responsáveis por processar e construir significado para os dados que são gerados.

S: Como essas tecnologias são desenvolvidas dentro da empresa? Existe a integração com outros parceiros tecnológicos?

F.S: As tecnologias são desenvolvidas (grande parte delas) nos centros de inovação que temos pelo mundo, sendo que um deles se encontra aqui no Brasil, em Campinas (SP). O trabalho desenvolvido, consiste em adaptar os equipamentos para as peculiaridades da agricultura tropical, mas também existem casos em que a solução completa é desenvolvida no Brasil. Um exemplo é a nossa colheitadeira S400, totalmente idealizada aqui. Para subsidiar as inovações, investimos cerca de US$ 4 milhões, por dia, em pesquisa e desenvolvimento. Muitas vezes, para complementar seu portfólio, a companhia faz parcerias com fornecedores reconhecidos pelo mercado.

O próximo passo que a John Deere vai dar é disponibilizar a integração do fluxo de informação entre parceiros de confiança do produtor e a empresa, tudo digitalmente.

S: A Internet das Coisas atende apenas aos grandes produtores do agronegócio?

F.S: Não. A Internet das Coisas pode estar presente em máquinas para todos os perfis de agricultores,
uma vez que os equipamentos, independentemente do tamanho da máquina, podem ter em sua tecnologia embarcada a capacidade de coletar e transmitir dados.

S: No Brasil, a IoT ainda é um campo de pioneirismo?

F.S: Sim. A Internet das Coisas, no Brasil, ainda é um campo de pioneirismo aberto a experimentações
e enfrenta desafios, como produtores com diferentes tamanhos de negócios que encontram dificuldades
na aplicação por desconhecer o uso da tecnologia. Outro aspecto, não menos importante, é um certo descompasso entre o avanço tecnológico e a aplicação da técnica agronômica, seja pela difusão da pesquisa científica, pela dificuldade de aplicação ou, eventualmente, por porções do ciclo que não estão completas.

S: Como será o futuro do agronegócio?

F.S: Não haverá abertura de novas áreas para plantio e já temos um bom Código Florestal regulando o setor. Este é um ponto inicial que o agronegócio já sabe e, por isso mesmo, entende que o papel da ciência e tecnologia no campo é fundamental. A ciência está nas sementes resistentes à pragas ou nas plantas resistentes ao stress hídrico, por exemplo, enquanto a tecnologia está nas máquinas que são cada vez mais precisas, entregam maior produtividade por hectare e buscam ter um custo de produção cada vez menor.

O futuro caminha, então, para uma produtividade sustentável, tanto no sentido ambiental quanto administrativo. A tendência é que o homem do campo se torne um grande gestor.

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