Tifton 85: uma forrageira para pastagens tropicais

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A busca de novas tecnologias que aumentem a produtividade de forragem de alto valor nutritivo e com grande potencial de produção de biomassa tem sido um importante avanço nos sistemas de produção animal. Com uma área de cerca de 170 milhões de hectares de pastagens, para alimentar aproximadamente 200 milhões de cabeças, as novas tecnologias são essenciais.

Essas pastagens estão, predominantemente, em em solos ácidos, com problemas de toxidez de alumínio e deficientes nutrientes. Deste universo, mais de 100 milhões de hectares são de pastagens cultivadas, dos quais 48 milhões estão na região de cerrado. A crescente escassez hídrica também contribui para a queda da produtividade. Mas a uso da forrageira Tifton 85 (Cynodon spp.) na produção de pastagem para alimentação de bovinos, ovinos, caprinos e equídeos tem se destacado pela sua grande capacidade de adaptar a climas tropicais e subtropicais.

O tifton 85 foi desenvolvido na Coastal Plain
Experiment Station (USDA-University of Georgia), em Tifton, sul do Estado da Geórgia, fruto do cruzamento de uma introdução sul-africana com o tifton- 68. A forrageira é exigente em fertilidade do solo e adequado manejo da irrigação.

TIFTON 85 NO BRASIL
O uso de pastagens no Brasil é bem frequente desde a década de 70, data que marca a introdução de uma nova espécie de forrageira, Tifton 85. O uso do Tifton 85 (Cynodon spp.) na produção de pastagem para alimentação de bovinos, ovinos e caprinos, tem se destacado pela sua grande capacidade de adaptar a climas tropicais e subtropicais. Além disso, este capim apresenta alta digestibilidade, elevada produtividade de matéria seca e grande resistência a pisoteio e a temperaturas baixas. As plantas de Cynodon spp. são utilizadas por apresentarem morfologia adequada na produção de feno.

O Tifton 85 é um cultivar do gênero Cynodon spp. considerado o melhor cultivar do gênero já lançado. É uma gramínea de folhas e colmos largos, quando comparada com as plantas do gênero. Seus caules se espalham rapidamente pelo terreno plantado, apresentando coloração verde-escura com pigmentação pouco arroxeada. Este cultivar possui alto valor nutritivo.

A baixa intensidade de chuvas associada com o fotoperíodo mais curto e as baixas temperaturas são fatores que influenciam a estacionalidade das pastagens tropicais, o que contribui para queda nos índices de produtividade da pecuária nacional, leiteira ou de corte. Na tentativa de otimizar o manejo de pastos a irrigação tem sido apontada como uma técnica bastante eficiente na redução do efeito de baixa produção da forragem.

CONHECENDO O SOLO
O primeiro e decisivo passo, quando se pensa em intensificar a exploração pecuária é o conhecimento da fertilidade do solo. Para isso é necessário que seja feita uma correta amostragem do solo, bem como o encaminhamento da amostra para análise em laboratório idôneo.

Para o estabelecimento da pastagem, com o preparo do solo, é fundamental avaliar a necessidade de calagem. O calcário corrige a acidez, neutraliza o excesso de alumínio tóxico, fornece cálcio e magnésio, etc. Destaca-se a importância do cálcio para a formação de um bom sistema radicular. Entretanto, o calcário é aplicado operacionalmente na camada arável e, sendo pouco móvel em profundidade, não corrige as camadas superficiais de forma eficiente.

Apesar da tolerância das espécies forrageiras tropicais à acidez, a melhoria do ambiente das raízes, com o aumento dos teores de cálcio, sobretudo em camadas inferiores a arável, também é recomendável. Isto é fundamental para o crescimento do sistema radicular que explora maior volume de solo ao aprofundar-se mais, favorecendo o aproveitamento da água do solo. O uso do gesso é recomendável para proporcionar esta melhoria do ambiente radicular.

É necessária a correta definição de doses, fontes, épocas e formas de aplicação dos fertilizantes. Quanto, qual, quando e de que forma aplicá-los! Especialmente, considere que temos distintos mercados e demandas atualmente, ou seja, entre os cultivos convencionais sem restrições para os fertilizantes minerais e os certificados orgânicos. Insumos locais, com base em reciclagem, se corretamente avaliados e planejados, podem ser alternativas ecológicas e econômicas, como abordamos no artigo Manejo Integrado da Fertilidade do Solo.

Por Marihus Altoé Baldotto, professores da Universidade Federal de Viçosa.

Esse é o primeiro texto do artigo sobre “Tifton 85”.  Em breve, mais um artigo da Série “Especial Solos”.

Até lá!

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