Tipos e etapas da erosão

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Por Marihus Altoé Baldotto

Ela compreende desgaste, desprendimento, arraste e deposição de partículas de solo, sendo as águas das chuvas (erosão hídrica) e os ventos (erosão eólica) os dois principais agentes do processo erosivo no Brasil.

Tipos e etapas da erosão

Erosão hídrica

Consiste no processo desencadeado a partir do impacto da chuva sobre o solo, escoando na forma de enxurrada. Ocorre naturalmente e, nesta escala, promove os ciclos biogeoquímicos, a formação da paisagem e o rejuvenescimento dos solos. Contudo, agrava-se por influência do homem, sobretudo pelo uso do solo descoberto.

Erosão eólica

É a erosão causada pela ação dos ventos e também tem como agravante a retirada da vegetação de cobertura do solo. Áreas desérticas, especialmente as de solo arenoso, são mais suscetíveis à erosão eólica. No Brasil, nas áreas áridas e semi-áridas nordestinas e no Rio Grande do Sul, existem impactos significativos da erosão eólica.

Ocorrência da erosão

A erosão ocorre, portanto, de forma natural ou geológica ou acelerada pelo homem. Nas primeiras, naturalmente, houve co-evolução entre a Terra e os seres vivos, resultando na vida pelo equilíbrio que conhecemos.

Algumas formas de uso do solo contribuem para a erosão. Dentre elas, destacam-se: revolvimento intensivo, que culmina com desestruturação do solo; uso em desacordo com o zoneamento edafoagroclimático; monocultura; solo descoberto ou com vegetação pouco protetora; linhas de plantio fora de nível; queimadas; uso de áreas muito inclinadas sem a devida adoção de práticas conservacionistas, entre outros.

A erosão inicia-se com o desprendimento ou desagregação da estrutura do solo. Geralmente, tanto o revolvimento do solo, como o impacto da gota da chuva sobre a estrutura do solo, desprendem as partículas mais finas (argilas). A seguir, o material desprendido sofre transporte, a segunda etapa do processo erosivo. A água da chuva via enxurrada e, ou, o vento, arrastam tais partículas. Assim, a terceira e última etapa da erosão acontece: a deposição do material que foi desagregado e transportado.

Embora a erosão eólica transporte partículas finas em escalas intercontinentais, com importância fundamental para a geologia, a erosão hídrica tende a ser mais pronunciada em regiões de clima tropical, de chuvas intensas.

Erosão pelo impacto da gota da chuva

Ao atingir o solo descoberto, o pingo de chuva forma uma microcatera compactada, de até quatro vezes o tamanho da gota. Há desagregação dos agregados do solo. A partir desse desprendimento de partículas argilosas, ocorre o seu transporte e o entupimento de poros do solo. Forma-se uma crosta delgada superficial, que reduz a infiltração da água. A manutenção da cobertura do solo, basicamente, é uma prática conservacionista eficiente em reduzir tal erosão.

Erosão laminar

A erosão laminar vai removendo camadas de solo, sem modificar o relevo nos primeiros momentos. Em geral, passa despercebida no início. Assim, seu perigo está na sua continuidade, pela pouca visibilidade. Aparecem raízes e material mais grosseiro na superfície do solo, dada a desagregação e remoção das partículas mais finas.

A fertilidade do solo, maior nas camadas superficiais do solo, vai diminuindo ao longo do tempo. Com menor fertilidade, o solo vai perdendo vegetação e tornando-se menos coberto, o que aumenta a predisposição à erosão pelo impacto da gota da chuva, iniciando um ciclo de degradação do solo. Como se agrava em áreas de declividade maior, tem no plantio em nível, nas faixas de contenção, etc., as medidas de controle da erosão mais eficientes.

Erosão em sulcos

Erosão ocasionada pelo deslocamento preferencial da enxurrada, formando sulcos progressivamente mais profundos. A erosão em sulcos é agravada em áreas de declive acentuado e, principalmente, longo. O plantio em nível, as faixas de contenção, etc, são as medidas preventivas que geralmente contêm a erosão em sulcos. Como é visível no terreno, pode ser logo controlada.

Erosão em voçorocas

Se não for controlada, a erosão em sulcos pode evoluir para erosão em voçorocas. Formam ravinas que modificam totalmente a paisagem. Pode ser comprida e profunda, atingindo magnitudes de dezenas e centenas de metros. Ocorre pela passagem de enxurrada anualmente no mesmo sulco, aprofundando-o. Cortando o horizonte superficial (A) e o genético (B), estruturados em agregados, ao atingir o horizonte de características herdadas (C), sem agregação, o sulco torna-se profundo de forma mais rápida.

Alternativamente, a infiltração da água por camadas mais superficiais e o encontro dessa água com uma camada subsuperficial de difícil percolação, pode levar ao solapamento, ou seja, uma forma de deslizamento de cotas superior para inferior. Como a erosão por voçorocas é muito mais grave, impedindo geralmente o cultivo na área erodida, seu controle é mais oneroso e demanda manejo especializado.

Esse é o segundo texto do artigo sobre “Conservação do solo e da água”. 

Leia a continuação deste artigo nos links:

2 – Tipos e etapas da erosão.
3 – Fatores que afetam a erosão
4 – Controle da erosão

Para ler o primeiro, acesse: Práticas conservacionista e controle da erosão.

Em breve, mais um artigo da Série “Especial Solos”.

Até lá!

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